O
Ministério da Cultura (MinC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (SEBRAE) assinaram nesta terça-feira (24) um Acordo
de Cooperação para a realização de ações conjuntas visando estimular o
desenvolvimento de pequenos empreendimentos culturais e criativos.
A cooperação é fundamentada em três áreas de atuação:
Gestão do
Conhecimento para o Fortalecimento dos Segmentos e Territórios de
Atuação da Economia Criativa;
Formação em Gestão Empresarial e
Qualificação Técnica de Profissionais e Empreendedores Criativos; e
Promoção e Difusão de Empreendimentos e Negócios Criativos.
Segundo ministra da Cultura, Marta Suplicy, o acordo é um fato
"histórico" que dará mais capacidade de administração e planejamento a
setores que têm pouca familiaridade com ferramentas de gestão. "O Sebrae
é o centro da expertise em gestão de negócios no País, e os criativos
funcionam com outra cabeça. São pessoas extremamente capazes,
inovadoras, que muitas vezes investem tempo e recursos em um negócio
que fecha as portas em seguida ou nem abre", disse.
"Brasil é um país com alta informalidade, mas é um país
em que as pessoas querem se formalizar, querem ganhar dinheiro e viver
do que elas produzem", explicou.
Na mesma linha, o presidente do
Sebrae, Luiz Barretto, lembrou que a Economia Criativa é fundamental
para o desenvolvimento e significa "geração de emprego e renda" para o
Brasil. "Nós vamos entrar com a parte da gestão empresarial para que o
produtor cultural se veja como um empresário e desenvolva seu negócio",
disse.
Novas alternativas de crescimento para os empreendimentos culturais
O Secretário da Economia Criativa do MinC, Marcos André Carvalho,
afirmou que o acordo é uma parceria "inédita", vai fortalecer
territórios criativos e atacar um dos "gargalos" do setor. "A falta de
qualificação técnica estrangula o potencial de crescimento dos
empreendimentos da economia criativa", afirmou.
Outro dado
ressaltado pelo secretário é o fato de o acordo contribuir para o
produtor cultural manter sua atividade sem depender unicamente de
políticas de subsídio público. "Há no cenário atual da produção cultural
brasileira uma visão restrita baseada somente no fomento via leis de
incentivo e na política de editais.
O que a parceria da Sec e do Sebrae
vai introduzir é um pensamento de sustentabilidade mais amplo com
planejamento estratégico de médio e longo prazos e com uma diversidade
maior de fontes de fomento. A falta de qualificação em gestão gera
descontinuidade e enfraquece os empreendimentos culturais", disse.
Territórios criativos
Os
territórios criativos, também chamados de Arranjos Produtivos Locais
(APLs) Intensivos em cultura, podem ser formados por bairros, cidades ou
regiões que demonstrem vocação para um conjunto específico de
empreendimentos culturais e criativos.
Serão realizadas, nessas
localidades, atividades voltadas à formação e capacitação em gestão
empresarial e à qualificação técnica de artistas, profissionais e
empreendedores criativos.
Outro foco do acordo é garantir para
pequenos empreendedores criativos acesso ao mercado. Para isso, será
criada uma plataforma virtual que funcionará como uma espécie de bolsa
de negócio em que os empreendedores criativos poderão conhecer uns aos
outros, trocar experiência e comercializar seus produtos.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os setores da
Economia Criativa respondem hoje por 8,54% dos empregos formais no País,
com uma renda salarial de R$2.293,64. Essa média é 44% superior à média
de remuneração nos demais setores da economia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário