quarta-feira, 4 de junho de 2014

Lei nº 12.981 - Presidente Dilma oficializa Hino a Negritude Brasileira.

Música será tocada em cerimônias para homenagear a comunidade negra. Primeiro projeto de lei para institucionalizar o hino foi proposto em 1966.

A presidente Dilma Rousseff sancionou lei que oficializa, em todo o país, o Hino à Negritude, música que exalta a população negra brasileira. Publicada no Diário Oficial da União nesta quinta (29), a Lei 12.981 prevê a execução do hino em cerimônias públicas organizadas para homenagear a comunidade negra.
A letra é de autoria do professor Eduardo Oliveira, ex-vereador da cidade de São Paulo, líder do movimento negro no Brasil e um dos principais articuladores do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB).
A primeira tentativa de institucionalizar o Hino à Negritude ocorreu em 1966, ano em que foi apresentada a primeira proposta sobre o tema. Em 1993 e 1997, foram protocolados novos projetos para institucionalizar o hino, mas as matérias não avançaram no Congresso.
Em 2007, a proposta voltou a ser debatida no Legislativo por meio de um projeto de lei de autoria do deputado Vicentinho (SP), atual líder da bancada do PT na Câmara.
Na justificativa de seu projeto de lei, o petista, que é negro, argumentou que a homenagem ajudaria a valorizar “a trajetória do negro na formação da sociedade brasileira e a inexistência de símbolos que enalteçam e registrem esse sentimento de fraternidade entre as diversas etnias que compõem a base da população brasileira”.
Leia abaixo o texto integral da referida lei.
 Dispõe sobre a oficialização no território nacional do Hino à Negritude.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1o Fica oficializado, no território nacional, o Hino à Negritude, de autoria do Professor Eduardo de Oliveira. 
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 28 de  maio  de 2014; 193o da Independência e 126o da República. 
DILMA ROUSSEFF
Marta Suplicy
Luiza Helena de Bairros
Este texto não substitui o publicado no DOU de 29.5.2014
Leia abaixo a letra do Hino e assista ao vídeo:

Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lhe destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a sol
Para o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
Todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

UFMA - Artigo: O que está por trás do SIND-UFMA?

Cristiano Capovilla*
Cerca de quatrocentos professores da Universidade Federal do Maranhão manifestaram sua concordância com a criação do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Maranhão, SIND-UFMA, no último dia 29 em São Luís. Professores do Bacanga e de todos os campi do continente, ativos e aposentados, foram unânimes em reconhecer a importância desse novo sindicato. Não deve passar despercebido o fato de que, dos quase quatrocentos professores, cerca de cento e oitenta foram ou são filiados da antiga associação que representava os professores, a APRUMA. Mas por que tantos filiados da seção sindical do ANDES resolveram apoiar o novo sindicato?
Talvez possamos encontrar nos textos que se propunham a defender a associação contra o SIND-UFMA partes da resposta. Lá estão escritos, em tom inquisitorial, que os fundadores do novo sindicato ousaram disputar e “perder duas eleições” e “em duas oportunidades não ter conseguido sequer organizar uma chapa”. Ora, desde quando filiados cometem algum erro em querer disputar a direção de uma associação bancada, inclusive financeiramente, por estes mesmos associados? Essa estúpida “acusação” só acontece porque eleição e democracia são raras na APRUMA. A associação existe desde o final da década de setenta do século passado e poucas vezes ocorreram disputas por sua direção. Neste século, as únicas disputas foram protagonizadas justamente por esses filiados que agora desistiram de tentar debater o “aparelho partidário”. O resultado é fácil de observar: nas últimas eleições, exatamente o que as notas acusam de não terem a participação dos que agora fundaram o SIND-UFMA, a chapa única da APRUMA obteve míseros 193 votos de um total de 1.165 filiados!
Também podemos encontrar parte da resposta da deserção dos professores da APRUMA no esvaziamento dos seus fóruns internos. Burocráticos, partidarizados, raivosos, esses fóruns constrangem as opiniões divergentes através de um policiamento político, procurando de todas as formas e por qualquer meio imprimir na UFMA o que já foi decidido por uma burocracia sindical nacional, uma vez que a associação é somente uma “seção sindical” do aparelho nacional. É a famigerada política trotskista do “sindicato como correia de transmissão do partido”. Quem discorda ou ousa debater qualquer questão fora da pauta definida alhures, é logo taxado de “pelego”, “chapa branca”, “traidor” e é posto na condição de inimigo, responsabilizado por eventuais fracassos da categoria.  O sistema, o governo, a reitoria, os “pelegos” são culpados, menos a direção da associação. Ora, nada mais cômodo e infantil que atribuir aos outros a culpa pelos nossos fracassos.
Entretanto, a maior de todas as causas do esvaziamento da APRUMA e da ascensão do SIND-UFMA não é uma questão ideológica, mas fundamentalmente prática. Diz respeito à finalidade do sindicato na atual conjuntura. O debate ideológico como motor exclusivo do sindicalismo, tal qual proposto pelo partidarismo da APRUMA, está completamente fora do contexto. É justamente esse apego indefectível a um universalismo abstrato, que coloca de modo imutável às últimas questões do sistema de dominação, tentando reproduzir na universidade um jacobinismo esquerdista, a causa do fracasso prático desta ideologia. Se for verdade que permanece um “traço centralizador e autoritário na nossa universidade”, então parece que não podemos excluir a própria APRUMA deste conjunto, uma vez que reproduz em ações aquilo que pretende negar no discurso. O autoritarismo que se quer negar, mas que se faz presente, mesmo depois de negado, permanece igual, apenas com o sinal trocado.
Acreditamos que, embora os professores universitários sempre possam ser convocados a tirarem as últimas consequências de tudo, ainda assim, não achamos que o papel de profetas e pregadores dos destinos da história lhes caia bem. Pensamos que aqueles que lideram um movimento político sindical devem ter consciência da tensão entre as suas próprias pretensões e a realidade na qual se encontram. 
O sindicato também necessita do sentido para o factível, o possível, o correto aqui e agora. Portanto, essas são algumas das causas que levaram vários professores até então filiados a APRUMA e tantos outros que nunca haviam aderido, a procurarem novos caminhos na construção de um movimento docente de qualidade, com conteúdo propositivo e fundamentalmente prático, para sugerir rumos nestes difíceis dias pelos quais passamos. É isso, sem mais nem menos, o que está por trás da criação do SIND-UFMA.
*Professor de Filosofia do COLUN-UFMA e Secretário Geral do SIND-UFMA.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Performance feminista é interpretada como “ritual satânico”.

No evento “Xereca Satânica”, realizado na UFF, uma mulher teve sua vagina costurada como forma de protesto
Por Redação
junho 2, 2014. 
Para questionar a liberdade ao próprio corpo e denunciar o alto índice de estupro, uma mulher teve sua vagina costurada no meio de uma festa na quarta-feira (29). A confraternização integrava a programação do evento “Xereca Satânica”, realizado no campus de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense. A performance, no entanto, ultrapassou as paredes do prédio onde foi realizada.
Foto - Reproducao facebook.
Após uma “denúncia” feita à grande mídia, o evento promovido por alunos do curso de Produção Cultural como parte da disciplina “Corpo e resistência” tornou-se polêmico. Até a Polícia Federal anunciou que abriu inquérito para investigar a festa, devido ao suposto consumo de drogas, álcool, orgias e rituais satânicos.
Todavia, o chefe de departamento em que o evento foi promovido, Daniel Caetano, contestou as acusações. “Embora não tenham sido feitos ‘rituais satânicos’ e o título do evento fosse essencialmente provocativo (ao contrário do que o jornalismo marrom afirmou), precisamos dizer que não haverá de nossa parte qualquer censura a atos do gênero”, afirmou em uma publicação do Facebook.
Daniel apoia a performance, realizada por um coletivo de Minas Gerais que viajou para Rio das Ostras apenas para participar do evento. “É um coletivo que está habituado a fazer performances como a que aconteceu, feitas para chocar a sensibilidade das pessoas e fazê-las pensar sobre seus próprios limites”, explicou.
O principal objetivo da atividade era denunciar os altos índices de violência contra a mulher na cidade. Por isso, ele desafia: “Qualquer pessoa em cargo público que porventura se posicionar contra a performance será por nós inquirida acerca de suas atitudes prévias contra os estupros em Rio das Ostras”.
Autoras do Blogueiras Feministas divulgaram um texto em apoio ao evento. “Todos os dias violam nossos corpos, mutilam nossas expressões despadronizadas, todos os dias querem que nossas xerecas sejam santificadas”, ressaltaram. “Lamentamos informar a todos que continuaremos a produzir e construir formas antagônicas de valores e sociabilidade num mundo que caminha pela via da robotização das expressões do humano. Pedimos desculpas se incomodamos, mas somos humanos, demasiadamente humanos”.
(Foto de capa: Reprodução/Facebook)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Roraima - Comunidades indígenas fazem pacto para eleger deputado.

Índigenas concentram estratégia política em Roraima e caciques decidiram, pela primeira vez na história, unificar nove etnias para conquistar uma vaga na Câmara.

Com baixíssima representação no Congresso, as minorias estão se rebelando. 

O grito mais rotundo está partindo dos índios, minoria das minorias, segmento sem nenhum representante eleito e que, ainda assim, numa curiosa contradição, inspirou a criação da Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas, bombardeada por todos os lados pela bancada ruralista, arquiinimiga da causa.

Órfãos dos governos, mas assessorados por parlamentares de várias regiões do país, pela Igreja Católica e por ONGs, os índios querem agora colocar um representante no Congresso nas eleições deste ano. 

Para isso, organizaram uma estratégia aparentemente infalível: concentraram os esforços em Roraima - onde a presença indígena na sociedade, representando 11% dos 490 mil habitantes, é a mais ampla do País - para eleger um deputado federal e outro estadual.

Leia mais: Sem representação no Congresso, movimento LGBT se enfraquece.

Pela primeira vez na história das eleições no Estado, caciques (lá chamados tuxauas) decidiram, em inédita assembleia realizada há poucos dias, unificar as nove etnias - macuxi, wapixana, taurepang, ingarikó, wai-wai, yanomami, patamona, saparé e ye´kunan - para conquistar uma cadeira na Câmara.

A vaga está aberta desde a eleição do único índio que até hoje ocupou um assento no Parlamento, o ex-cacique xavante Mário Juruna que, embora tenha sua história no Mato Grosso, foi eleito pela população branca do Rio de Janeiro e teve passagem meteórica e polêmica pela Casa entre 1982 e 1986.

Pela decisão do conselho dos tuxauas de Roraima, que jamais é contestada, índio agora votará em índio. Os “caciques” tradicionais da política regional, como o senador Romero Jucá (PMDB), terão de buscar votos entre os brancos.

Os nomes escolhidos foram dois dirigentes do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), Mário Nicácio Wapixana, do PC do B, coordenador do órgão, e Aldenir Cadete de Lima, o Aldenir Wapixana, do PT, que sairão em dobradinha, respectivamente, para Assembleia e Câmara.

Força
O próximo passo é buscar uma coligação para alcançar com segurança o quociente eleitoral, embora matematicamente possam ser eleitos mesmo saindo apenas pelos partidos aos quais estão filiados.

Com população de 55 mil pessoas e cerca de 30 mil votos, os índios representam cerca de 12% do eleitorado de Roraima e, desde que esse universo não seja dividido com candidatos brancos - como ocorreu historicamente -, conquistariam com folga uma cadeira na Câmara e, no mínimo, duas no Estado. Numa coligação, seis mil votos elegeriam um federal.

Uma espécie de “República” indígena, Roraima é o Estado do Brasil com a mais forte presença do índio na fisionomia social. Suas 32 reservas (ou Terras Indígenas) representam mais de 46% da superfície territorial, ou algo em torno de 10 milhões de hectares, onde vivem 413 comunidades. Os índios estão presentes em todos os setores da vida roraimense, mas o destaque é na economia: donos de 600 mil cabeças de bovinos - criados na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, uma área contínua de 1, 7 milhão de hectares homologada em 2008 - são responsáveis pelo fornecimento de 60% da carne consumida em Roraima.

Mais de 600 índios são formados pela Universidade Federal de Roraima em áreas como administração, agronomia, medicina, direito, sociologia e, entre outras, filosofia. O candidato a deputado estadual, Mário Nicácio, por exemplo, é formado em administração de empresas (o foco é a área indígena) e habilitação em sistemas de informação.

Aldenir tem o ensino médio, mas se especializou em comunicação e, nas questões indígenas, atua como fotógrafo, alimentando redes sociais e sites voltados à causa indígena. Alimenta o site do CIR, tem página no Facebook e transita com desenvoltura pelas “infovias” da internet.

Os índios de Roraima estão entre os mais aculturados do mundo, são politizados (as aldeias terão urnas biométricas este ano) e convivem com a população branca sem abrir mão dos costumes e tradições. Os dois candidatos representam a nova geração surgida depois de uma luta de 34 anos retomada das terras da Raposa Serra do Sol, que estava nas mãos dos arrozeiros.

A eleição de um representante no Congresso tem dois objetivos: reforçar as conquistas em Roraima, resistindo às sucessivas tentativas de exploração às enormes riquezas minerais que repousam no subsolo das áreas indígenas do estado (a maior e mais valiosa província mineral do planeta) e articular um arco de alianças para se contrapor nacionalmente à força de ruralistas, que vem pressionando para tentar restringir os direitos indígenas já consolidados.

Tensão
“Vamos lutar por um estatuto, pela demarcação de terras de nossos parentes, o fim da mineração em território indígena, políticas públicas e a rejeição da PEC 215”, diz Aldenir Wapixana. Este último item se refere à proposta de emenda que daria também ao Congresso - e não só ao executivo - poder para decidir sobre demarcações.

A aprovação da PEC 215 seria, segundo Aldenir, um retrocesso para a minoria das minorias, já que ruralistas e evangélicos, frente que também confronta o interesse indigenista, têm juntas mais de 200 parlamentares.

O secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Cléber César Buzatto, diz que a eleição de apenas um deputado não muda a correlação de forças, mas daria uma voz autêntica e representativa a uma minoria, num parlamento francamente conservador e radicalmente contra os interesses indígenas.

Ele cita os casos de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul, onde os ruralistas, liderados pelo presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Luiz Carlos Heinze (PP-RS), sem voz autêntica que os conteste no Congresso, estão formando milícias armadas para impedir as demarcações. Buzatto diz que em função da apologia ao conflito, pregada abertamente por Heinz, inclusive num vídeo que circulou na internet, índios kaingang e fazendeiros estão à beira de um conflito sangrento no Sul do país.

“A eleição de um índio ajudaria a reduzir o desequilíbrio no Congresso, colocando um contraponto aos ruralistas que querem inviabilizar as demarcações”, diz o secretário geral do CIMI.

Negros e mulheres
Entre as minorias, a mulher é a que tem mais espaço no Congresso, embora o índice seja reduzidíssimo quando comparado com a densidade dos gêneros entre a população. Elas representam mais de 51% dos brasileiros, mas são só 10% no Senado (81 senadores) e 8% na Câmara, onde ocupam 46 das 513 cadeiras. O contraditório é que a lei eleitoral obriga os partidos a destinar pelo menos 30% das vagas a candidatas mulher, o que acaba se revelando uma medida apenas formal.

Ainda assim, outras minorias, como negros, querem o mesmo tipo de proteção para melhorar a representação no Parlamento. “O Brasil faz a separação de raças na composição do Parlamento”, diz Alexandre Braga, responsável pelo setor de comunicação da União dos Negros do Brasil (Unegro), entidade que luta pela cota de 30% de vagas nos partidos como forma de melhorar a representação.

No Congresso, os parlamentares negros ou pardos também são poucos: dois no Senado e 43 na Câmara, um deles, Domingos Dutra (SD-MA), quilombola. Braga acha que as políticas públicas de valorização colocaram os negros atualmente em raro momento de afirmação.

Ele prevê que este ano haverá um pequeno aumento na bancada, mas acredita que o cenário estará bem melhor na próxima eleição, que deverá ser realizada depois de uma reforma política que garantirá disputa em melhores condições de igualdade às minorias.

Entre as demais minorias, os sem-terra têm três congressistas, os deficientes 15 (um deles no Senado) e os homossexuais apenas um assumidamente, no caso, o deputado Jean Wyllys.

Por Vasconcelos Quadros - iG São Paulo

Link:  http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-05-26/comunidades-indigenas-fazem-pacto-para-eleger-deputado.html

sábado, 17 de maio de 2014

A diversidade conjugada na Teia


Itaércio Porpino - Repórter.

Um evento de articulação política e também artístico. Porém, ninguém espere por shows com atrações midiáticas. Diferente das outras edições, a Teia Nacional da Diversidade 2014 – 5º Encontro Nacional dos Pontos de Cultura, que será realizado em Natal entre os dias 19 e 24 deste mês, terá como protagonistas os próprios Pontos de Cultura.      

Teia Nacional
Evento de alcance nacional promove a multiplicidade cultural através da reunião de 3 mil Pontos de Cultura de todo o BrasilEvento de alcance nacional promove a multiplicidade cultural através da reunião de 3 mil Pontos de Cultura de todo o Brasil


“Houve shows de artistas nacionais nos encontros anteriores [2006, em São Paulo; 2007, em Belo Horizonte; 2008, em Brasília e 2010, em Fortaleza],  mas aqui optamos por fazer diferente, pois além dos artistas ficarem com os cachês mais altos, eles ainda atraem os olhares da maior parte do público. E a ideia não é essa. Queremos que as atenções se voltem para os trabalhos desenvolvidos pelos Pontos de Cultura”, diz a jornalista Mary Land Brito, coordenadora executiva nacional do evento.

Segundo Mary Land, a programação artística foi montada a partir da seleção de projetos inscritos em dois editais - um nacional, contemplando somente Pontos de Cultura, e um estadual, aberto aos artistas do Rio Grande do Norte. “Como o evento é aqui,  nada mais justo do que dar aos nossos artistas a oportunidade de mostrar sua arte a quem vem de fora”, disse ela.

Foram inscritos 400 projetos de apresentações artísticas de todo o Brasil e selecionados 68. Um dos critérios levados em consideração foi a diversidade de expressões artísticas e geográficas.     

“Vamos ter indígenas, ciganos, povos de terreiros, ciranda, maracatu, coco, teatro, circo, música, filmes, intervenção urbana, performance, feira de economia solidária, além da parte de conteúdo - seminários, oficinas e debates. O nome Teia da Diversidade não é por acaso”, diz a coordenadora executiva nacional do evento.

Principais palcos
A maior parte das atividades será realizada na UFRN (próximo ao anfiteatro, em diversas tendas); mas também haverá programação no IFRN Cidade Alta, Espaço Ruy Pereira/Beco do Zé Reeira, Casa da Ribeira, Largo da praça Augusto Severo, Sesc Cidade Alta e  Teatro de Cultura Popular (TCP).

Feira Economia Solidária
A Feira de Economia Solidária e Criativa funcionará durante todos os dias da Teia (19 a 24/05), no anfiteatro da UFRN, em uma estrutura similar a da Cientec, das 9h às 16h. Trinta pontos de cultura, de diferentes partes do Brasil, vão estar expondo e comercializando peças artesanais no local.

Palco da Ribeira
O palco armado no largo da praça Augusto Severo (em frente ao TAM) vai receber atrações nos dias 21 e 24, começando a partir das 19h. Na primeira noite, o público vai poder assistir Brincadeira de Reis do Mestre Dedé Veríssimo (RN), o Maracatu Estrela de Igarassú (PE), Pau e Lata (RN), Tambores do Tocantins (TO), Rosa de Pedra (RN) e Verônica Decide Morrer (CE). Na segunda noite, sobem ao palco o grupo Jongo Kianda (SP), Cacuriá de Dona Teté (MA), Carimbó do Marajó (PA), Sirilo da Fusão (RS), DJ Tudo (SP), DuSouto (RN) e Caio Padilha (RN).

Palco Casa da Ribeira
No teatro da Rua Frei Miguelinho, vai ter programação nos dias 22, 23 e 24. Quinta, às 16h, Heloísa Helena (SC) sobe ao palco  com o espetáculo “Poses para (não) esquecer, e, às 20h, o artista Abdias do Nascimento (RJ) apresenta “De pai para filho”. Na sexta, às 16h e 20h, se apresentam mais dois grupos: Do Corpo à Raiz (SP) e a Cia Gira Dança (RN). O último dia (24), sobem ao palco o Teatro Experimental de Alta Floresta, com o espetáculo “Santa Joana dos Matadouros” (16h) e o Grupo Sonhus Teatro Ritual, com o espetáculo “Todo Serto” (20h). 

Sesc Centro
A Cia Balé Baião de Dança Contemporânea (CE) apresenta, no dia 23, às 18h, o espetáculo  “Invenção do Baião Teimoso”.  Logo depois, às 19h, vem o grupo Fragmentos (SE) com a montagem “Loucurarte”. No dia 24, às 16h, o grupo Mapati (DF) apresenta “Os Saltimbancos Músicos de Bremem” e, às 19h, tem o espetáculo “Contos, Cantos e Encantos Tapajônicos”, do Grupo de Teatro Olho D’água (PA).

Cortejo Cultura Viva 10 Anos
O cortejo sairá da Av. Rio Branco (IFRN Cidade Alta), às 16h do dia 21, com destino ao Largo Dom Bosco, na Ribeira (em frente ao Teatro Alberto Maranhão).

Lançamentos de livros e doação de materiais de leitura 
Às 16h do dia 22 de maio, no pátio do IFRN Cidade Alta, haverá distribuição de revistas da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e, às 18h, lançamento de livros do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). No dia 23, no mesmo local, haverá lançamento de livros indígenas (16h), seguido de apresentação da Cia Teatral Arte Viva (17h) e lançamento de livros do Ibram.  

No encalço do Jaraguá  
Na Teia da Diversidade 2014, a figura folclórica do Jaraguá – que inspirou a logomarca do evento - vai guiar o público pelo encontro nacional dos Pontos de Cultura e das redes da diversidade que integram o Programa Cultura Viva. O Jaraguá faz parte da tradição cultural da região Nordeste do Brasil. É um personagem fantástico que representa um fantasma de cavalo. No RN, ele integra o Auto Natalino dentro do Boi de Reis; em Pernambuco, aparece no Carnaval; no Cariri, sertão do Ceará, é uma figura do Reizado, assim como no Piauí e em outros estados nordestinos. 

A Teia, ponto a ponto
Espalhados por todas as regiões do Brasil, há atualmente algo em torno de 3 mil pontos de cultura, e a Teia Nacional da Diversidade é a  oportunidade que eles têm de  trocar experiências e discutir novas propostas para fortalecer o protagonismo cultural no País.

A transformação do programa do Governo Federal Cultura Viva em lei e a ampliação dos pontos de cultura no Rio Grande do Norte são alguns temas importantes que serão discutidos, segundo o fotógrafo Teotônio Roque,  coordenador da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e articulador local da Teia.

Ele explica que criação de pontos de cultura era um processo que se dava por meio de edital direto com o Ministério da Cultura, mas que atualmente está sendo descentralizado através das Redes Estaduais e Municipais de Pontos de Cultura. “A rede do RN conta com 53 pontos, um dos menores números do Brasil, diz Roque.

Só podem virar ponto de cultura entidades sem fins lucrativos que já desenvolvam alguma atividade cultural. “O ponto de cultura é para potencializar o que já existe”, diz Teotônio Roque. 

A Teia Nacional da Diversidade – 5º Encontro Nacional dos Pontos de Cultura e das redes da diversidade que integram o Programa Cultura Viva é uma promoção da Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) e da Comissão Nacional de Pontos de Cultura (CNPdC). A programação completa está disponível no site www.culturadigital.br/teiadadiversidade

sábado, 10 de maio de 2014

TEIA NACIONAL DA DIVERSIDADE 2014 APRESENTARÁ A REDE CULTURA AFRO-BRASILEIRA.

Teia Nacional da Diversidade 2014 apresentará a Rede Cultura Afro-Brasileira

A Teia da Diversidade, órgão que reúne todos os pontos de cultura do Cultura Viva espalhados pelo Brasil, fará o lançamento Rede Cultura Viva Afro-Brasileira, em seu quinto festival nacional, a ocorrer em Natal/RN, entre os dias 19 e 24 de maio.
A nova rede uma iniciativa da Fundação Cultural Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), e da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC (SCDC/MinC). 
O objetivo da Rede Cultura Viva Afro-brasileira é unir os Pontos de Cultura Afro para fortalecer as atividades de promoção das manifestações artístico-culturais brasileiras.

A Teia é o encontro dos Pontos de Cultura do Cultura Viva e das representações da Diversidade que integram o Brasil Plural. Em sintonia com as estratégias e diretrizes gerais do Plano Nacional de Cultura, a Teia Nacional da Diversidade 2014 inaugurará um espaço para encontro, reconhecimento, convivência, reflexão, formação e divulgação de temas prioritários de grupos, coletivos, comunidades, Pontos de Cultura e iniciativas que integram os Programas Cultura Viva e Brasil Plural.
Outras informações, fotos e vídeos podem ser vistos no site da Teia.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Rede Cultura Viva Afro-brasileira será lançada na TEIA da Diversidade.

Foto: Nando Magalhães
A rede é uma iniciativa da Fundação Cultural Palmares (FCP– MinC) e da SCDC-MinC. O lançamento está previsto para abertura do Fórum de Cultura Negra que, integra as atividades da Teia da Diversidade 2014 em Natal/RN
Foto: Nando Magalhães – Fundação Cultural Palmares/MinC
 Unir os Pontos de Cultura Afro para fortalecer as atividades de promoção das manifestações artísticoculturais negras brasileiras. É o objetivo da Rede Cultura Viva Afro-brasileira, desenvolvida numa parceria entre a Fundação Palmares e a Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC). O lançamento da iniciativa acontece no dia 21 de maio, na abertura das atividades do Fórum de Cultura Negra, que integra a Teia Cultural da Diversidade 2014, realizada entre19 e 24 de maio, em Natal/RN.
Culturas Negras em debate – O Fórum de Cultura Negra vai promover o intercâmbio cultural entre os grupos e lideranças das comunidades de matriz africana e da juventude negra. A programação do encontro será um subsídio para a criação da Rede Cultura Viva Afro-brasileira, que pretende também facilitar as articulações entre os cerca de 500 Pontos de Cultura de temática negra espalhados pelo país.
De acordo com Lindivaldo Júnior, diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DEP/FCP – MinC), a ação vai promover uma avaliação do Programa Cultura Viva, a partir da ótica dos agentes culturais negros brasileiros. “Queremos identificar novas alternativas para que a cultura negra ganhe maior visibilidade e, por consequência, a criação de políticas públicas”, disse.
Nos quatro dias de atividades no Fórum, líderes das comunidades religiosas de matriz africana, quilombolas, artistas e produtores culturais negros participam de uma série de debates sobre as culturas negras brasileiras, discutindo os “Avanços e Perspectivas na Ótica das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Quilombolas”, bem como rodas de conversa que irão abordar a temática da cultura negra.
Durante o evento, acontece ainda a 4º edição do Projeto Escambo Cultural, que vai reunir jovens de todo o Brasil para um debate sobre juventude negra e protagonismo cultural.
Para participar, basta realizar a inscrição no site: culturadigital.br/teiadadiversidade/inscricoes/.