sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Encontros para o 'Cultura 2014'.

 
Dando continuidade às oficinas para ajudar os candidatos no que se refere ao Concurso Cultura 2014, neste mês de setembro ocorrerão vários encontros. 

Lançado pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, no dia 8 de agosto, em São Paulo, o concurso visa ampliar e fomentar a programação cultural das 12 cidades-sede da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, entre 10 de junho e 15 de julho do próximo ano.

O Edital Cultura 2014 vai distribuir R$ 18,8 milhões em projetos baseados nos quatro eixos culturais, como audiovisual, manifestações tradicionais, artes e conteúdos criativos. O objetivo do concurso é aproveitar a exposição do país durante a competição internacional, ampliando a presença brasileira em outros patamares além do carnaval, música e futebol.

"O Cultura 2014 vai deixar legado de imagem. Quando acabar a Copa, queremos que nossa imagem tenha mudado, tenha sido ampliada. Desejamos que as pessoas conheçam melhor a grandeza e a diversidade da cultura brasileira", afirmou a ministra Mara Suplicy durante a cerimônia de lançamento.

A iniciativa, com foco nos pequenos e médios realizadores culturais, irá contratar no mínimo 1.200 apresentações culturais para o período da competição (10 de junho a 15 de julho) para, em parceria com os governos estaduais e municipais, reforçar a programação cultural das cidades-sede.

As inscrições para o Edital estão abertas até o dia 23 de setembro e devem ser feitas pelo sistema SalicWeb. Podem participar pessoa física, coletivo não constituído juridicamente e pessoa jurídica de direito privado, com ou sem fim lucrativo, todos com idade mínima de 18 anos completos até a data de encerramento das inscrições, de natureza brasileira, nato ou naturalizado e residir no Brasil.

Serão avaliadas propostas na área da música, audiovisual, artes visuais, cultura tradicional, literatura, artesanato, patrimônio, dança, circo, teatro, arquitetura, gastronomia, moda e design.

Confira as oficinas já agendadas para o Cultura 2014:

......

MARANHÃO (Informações: nordeste@cultura.gov.br)
São Luiz - 17/9, às 14h – Auditório do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, na Praia Grande;

Imperatriz - 18/9, às 14h – Auditório do Centro de Formação dos Professores (Rua Simplício Moreira, esquina com a Rua 13 de Maio – Centro);

Barra do Corda - 19/9, às 14h - Unidade Integrada Maria Lenir – Bairro INCRA;
   
Balsas - 20/9, às 14h - Auditório do Colégio São Pio X – Av. Dom Diogo Parodi, nº 1.
 
Link desta matéria: http://www.cultura.gov.br/banner-2/-/asset_publisher/0u320bDyUU6Y/content/encontros-para-o-cultura-2014-/10883?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fbanner-2%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_0u320bDyUU6Y%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-2%26p_p_col_count%3D2

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Maranhão - Terceira Conferência Estadual de Cultura Será Aberta Nesta Quarta - Feira Dia 11 de Setembro.

Por: José de Mário Moraes Ferreira.

Foto - Secma.
Com o tema “Uma Política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura”, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secma), abre nesta quarta-feira (11), às 17h, no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana (Cohafuma), a abertura oficial da III Conferência Estadual de Cultura (CEC). O evento, que terá a presença do vice-governador Washington Luiz, tem como objetivo consolidar o Sistema Estadual de Cultura (SNC) nos municípios e no estado.
 
A III Conferência Nacional de Cultura reunirá representantes de mais de 120 prefeituras maranhense e terá participação de mais de 600 delegados – escolhidos nas Conferências Municipais – além de representantes do Ministério da Cultura, Governo do Estado, convidados e observadores. 

De acordo com a secretária de Estado da Cultura, Olga Simão, o encontro será o ponto de partida para a construção democrática do Plano Estadual de Cultura, que integra o Sistema Estadual e define as diretrizes e os rumos do setor no Maranhão.
“Durante a conferência, os eixos estruturantes serão desdobrados em debates, sobre a Implementação do SNC, produção simbólica e diversidade cultural, cidadania e direitos culturais, e sobre cultura e desenvolvimento econômico, entre outros. 

Nesta III CEC teremos a chance de escrever mais uma página da cultura maranhense”, afirmou Olga Simão, que também preside o Conselho Estadual de Cultura.
No leque dos eixos que serão discutidos na III CEC, estão a Implementação do Sistema Nacional de Cultura, a Produção Simbólica e Diversidade Cultural, a Cidadania e Direitos Culturais e Cultura e Desenvolvimento. 

Entre os convidados, a coordenadora-geral de Instrumentos de Gestão do Sistema Nacional de Cultura, da Secretaria de Articulação Institucional (SAI), do Ministério da Cultura (MinC), Telma Olivieri, que proferirá a palestra de abertura do evento.

A abertura da III acontece às 17h com a presença das autoridades estaduais, federais e de convidados, mas o credenciamento para delegados e observadores têm início às 15h. Na quinta-feira (12), os trabalhos serão desenvolvidos pela manhã, das 8h ao meio-dia e das 14h às 16h, com palestras, debates, exposições e eleição dos delegados que participarão da Conferência Nacional que acontecerá em Brasília, no mês de novembro.

PROGRAMAÇÃO

QUARTA-FEIRA (11)

15h - Credenciamento

17h - Solenidade de Abertura

18h - Palestra “Uma Política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura”. Palestrante: Telma Olivieri (Coordenadora - Geral de Instrumentos de Gestão do Sistema Nacional de Cultura, da Secretaria de Articulação Institucional – SAI/MINC).

19h - Leitura e aprovação do Regulamento Interno

 
QUINTA-FEIRA (12)

8h - Organização dos Grupos de discussão por eixo temático

Eixo I: Implementação do Sistema Nacional de Cultura

Eixo II: Produção Simbólica e Diversidade Cultural 

Eixo III: Cidadania e Direitos Culturais 

Eixo IV: Cultura e Desenvolvimento

12h - Almoço

13h30 - Apresentação das propostas e votação em plenária

16h - Eleição dos delegados estaduais

17h - Encerramento da 3ª Conferência Estadual de Cultura

Texto: Marcelo Sirkis (Ascom.Secma)

TEIA Amazonas - 2013.

 
Manaus vai sediar o próximo encontro estadual dos Pontos de Cultura, do Programa Cultura Viva. A TEIA do Amazonas tem início nesta quarta-feira (11) e se estende até sábado (14), com uma intensa programação de reuniões e debates dentro do Fórum Amazonenses dos Pontos de Cultura, integrado à programação da Teia. O encontro será realizado no Centro Cultural dos Povos da Amazônia. As inscrições para a participação na TEIA estarão abertas a partir das 8h do dia 11, na sede do encontro.


A Mesa de Abertura do evento tem início às 9h, na quarta-feira, e contará com a presença do diretor de Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura (MinC), Pedro Vasconcellos, que irá apresentar a nova fase do Programa Cultura Viva e falar das ações da Secretaria da Cidadania e da Diversidade (SCDC/MinC). 

A coordenadora-geral de Cooperação, Articulação e Informação da secretaria, Antônia Rangel, também estará presente na TEIA do Amazonas. Ela irá falar sobre as a TEIA da Diversidade, encontro nacional dos Pontos de Cultura, que será realizado em abril de 2014, em Natal (RN).


As TEIAS são encontros de articulação e planejamento dos Pontos de Cultura, abertos para a participação da comunidade. O debate sobre a atuação política-cultural dos pontos é realizado nos fóruns estaduais, que também são instâncias de identificação de demandas e elaboração de propostas para o desenvolvimento de políticas públicas de estado para a cultura no Brasil.

Neste ano os fóruns estaduais têm também a atribuição de Conferências Livres de preparação da III Conferência Nacional de Cultura (III CNC), que será realizada em Brasília, em novembro de 2013.


As atividades do Fórum Amazonenses dos Pontos de Cultura têm início às 10h50 do dia 11, com a reunião dos Grupos de Trabalhos. Os eixos temáticos dos debates, em consonância com a pauta da III CNC, são: implementação do Sistema Nacional de Cultura (SNC); produção simbólica e diversidade cultural; cidadania e direitos culturais; cultura e desenvolvimento; funcionamento da Comissão Amazonense dos Pontos de Cultura.


O fórum é composto por representantes da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, do Ministério da Cultura (MinC), das secretarias estaduais de Cultura, membros da Comissão Organizadora, observadores e parceiros do Programa Cultura Viva e integrantes das ações dos Pontos de Cultura. 

O fórum tem também a atribuição de realizar a eleição da Comissão Amazonense dos Pontos de Cultura e dos delegados do Amazonas para a TEIA Nacional, além de escolher o representante do estado para a Comissão Nacional de Pontos de Cultura (CNPdC).


Formação de Gestores

Dentro da programação da TEIA haverá, ainda, um curso de formação de gestores para os Pontos de Cultura, dividido em três módulos. O primeiro tem início às 9h de quinta-feira (12) e tratará sobre Gestão Cultural e Planejamento Estratégico, ministrado pela orientadora Maria Helena Cunha; o segundo será realizado a partir da 9h de sexta-feira (13), sobre Economia da Cultura: oferta, distribuição, fruição, monitoramento e avaliação, com orientação de Gustavo Vidigal; e o terceiro no sábado (14), mesmo horário, com tema Gestão Jurídico-Financeira/Prestações de Contas, com o orientador Rafael Neumayr.


A equipe da Coordenação Geral de Acompanhamento e Fiscalização da SCDC/MinC também estará presente na TEIA de Manaus, tirando as dúvidas dos integrantes dos Pontos de Cultura sobre prestações de contas e conveniamento com o Programa Cultura Viva. A "Banca Tira Dúvidas" atenderá o público no dia de abertura do encontro (quarta-feira), sob a responsabilidade de Iara Costa, chefe da Coordenação de Acompanhamento e Execução da SCDC.



(Texto: Patrícia Saldanha, SCDC/MinC)


O MinC promoverá no período de 23 a 29 de setembro a 7ª Primavera dos Museus em todo o Brasil.


Foto - Crédito MinC.
  No período de 23 a 29 de setembro, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cultura, promove a 7ª Primavera dos Museus, iniciativa que busca mobilizar os museus a desenvolverem programações especiais a respeito de temas específicos para intensificar suas relações com a sociedade.

Com o tema Museus, Memória e Cultura Afro-brasileira, a sétima edição do evento contará com mais de 2,6 mil atividades programadas em municípios de todos os estados do país.

São 884 instituições que realizarão ações educativas, oficinas, exposições e visitas guiadas, entre outras atividades. 

O Guia de Programação nacional está disponível para consulta ou download.

Participação - Para garantir o sucesso da 7ª Primavera dos Museus, o Ibram conta com a participação de profissionais e instituições ligadas ao setor museal, além do apoio das secretarias estaduais de Cultura e de Educação para incentivar alunos e a sociedade local a participarem dos eventos da programação.

Durante a semana de 23 a 29 de setembro, serão mais de 2,6 mil atividades nos museus de todo o país em torno do tema Museus, Memória e Cultura Afro-Brasileira, que propõe aos museus refletir sobre as contribuições da África para a sociedade brasileira e disseminar conhecimento e reflexão crítica sobre a realidade afrodescendente no país, contribuindo para a ampliação de olhares e a superação de preconceitos e discriminações raciais.

Em caso de dúvidas ou outras questões relativas à temporada nacional de eventos, os interessados podem enviar e-mail para cpgii@museus.gov.br ou ligar para (61) 3521.4122.

(Ascom/Ibram)

(Publicado por Ascom/MinC)

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Educação - Divulgado o Ranking Universitário da Folha de 2013.

UFMA tem a melhor colocação entre as Universidades do Maranhão ocupando a 57ª posição, com a nota 56,57.

 
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) ficou na 57ª posição entre todas as universidades do país no Ranking Universitário da Folha de S. Paulo de 2013, que avalia o desempenho das instituições de ensino. 
Outras duas universidades maranhenses foram citadas entre as 192 universidades avaliadas, porém já fora da relação das Cem Melhores, a UEMA ocupando a 119ª Colocação com a nota 32,36, e por fim o UNICEUMA ocupando a 149ª colocação com a Nota 23,19.

As instituições foram analisadas segundo cinco perspectivas: ensino, pesquisa, mercado de trabalho, inovação e internacionalização, veja quadro comparativo abaixo constando a primeira colocada, as universidades maranhenses e a ultima colocada.



QUADRO COMPARATIVO DE NOTAS DO RUF – 2013.


UNIVERSIDADE

CLASSI-FICAÇÃO

ENSINO

PESQUISA

MERCADO

INOVAÇÃO

INTERNA-CIONALIZAÇÃO

NOTA
Universidade de São Paulo – USP

1º
3º
1º
1º
1º
2º
96,98
Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

57º
78º
55º
57º
38º
55º
56,57
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.

119º
160º
119º
57º
66º
131º
32,36
Universidade do CEUMA –  UNICEUMA

149º
169º
163º
57º
-
108º
23,19
Universidade Estadual de Roraima – UERR.

192º
151º
-
182º
-
160º
4,72
 
O Pior desempenho no Estado ficou por conta do Uniceuma, que também é a única particular a participar do referido ranking.
O topo do ranking geral ficou com a Universidade de São Paulo (USP). Entre as cinco primeiras colocadas, quatro instituições são da região sudeste. Considerando as 10 melhores universidades, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é a única representante da região Nordeste, com a nota 89,21.
Texto de Francisco Barros.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Música decadente brasileira?

A música brasileira está decadente – sans élégance. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma frase como essa. Refine o gênero, e as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas. O funk, o sertanejo, o forró, o pop, todas as músicas consumidas pelas massas não prestam.

Um estudo acadêmico parte do forró eletrônico, ouvido à exaustão em todo o Nordeste, para investigar o que muitos chamam de “degeneração” da música popular. O professor Jean Henrique Costa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, obteve o título de doutor em Ciências Sociais com a tese “Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte”, defendida em março de 2012 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O pesquisador defende que o gênero preferido entre os nordestinos faz parte de uma engendrada indústria cultural, por meio da qual são criadas e sustentadas formas de dominação na produção e na audição desse tipo de música.

Segundo ele, quando uma banda de forró eletrônico recorre a canções de temática fácil, na maioria das vezes ligadas à busca de uma felicidade igualmente fácil, ela está criando mecanismos para a formação de um sistema de concepção e circulação musical. Nele, nada é feito ou produzido por acaso. Tudo acaba virando racionalizado, padronizado ou massificado.

Wesley Safadão e banda Garota Safada - Foto Divulgação
Wesley Safadão e banda Garota Safada – Foto Divulgação
O ideal de uma vida festeira, regada de uísque, caminhonete 4×4 e raparigas (mulheres) é hoje um símbolo de status e prestígio para muitos dos ouvintes. Ninguém quer ficar de fora da onda de consumo. Numa das partes da pesquisa, Costa analisou o conteúdo das letras dos cinco primeiros álbuns da banda Garota Safada e descobriu que 65% das músicas falam de amor, 36% de sexo e 26% de festas e bebedeiras.

“Parte expressiva das canções de maior sucesso veicula a ideia de que a verdadeira felicidade acontece ‘no meio da putaria’, ou seja, nos momentos de encontros com os amigos nas festas de forró”, escreveu Costa. “Não se produz determinada música acreditando plenamente que se está criando uma pérola de tempos idos, mas sim um produto para agradar em um mercado competitivo muito paradoxal: deve-se ser igual e diferente concomitantemente.” Ou seja, a competitividade do mercado induz à padronização dos hits.

“O que move o cotidiano é isso mesmo: sexo, amor, prazer, diversão. O forró e quase toda música popular sabem muito bem usar desse artifício para mover suas engrenagens”, explicou Costa. “Não é por acaso que as relações sexuais são tão exploradas pelas canções de maior apelo comercial a ponto de se tornarem coisificadas à maneira de clichês industriais.”

REFERENCIAL TEÓRICO
Outros gêneros musicais também recorrem a estratégias semelhantes. O forró eletrônico consegue se diferenciar dos demais ao dar uma roupagem de “nordestinidade”, criando a identificação direta com o seu público. Mas o objetivo final de todos é proporcionar diversão. O problema, segundo Costa, é que “se vende muito pão a quem tem fome em demasia”.

Costa baseou sua pesquisa no referencial teórico de Theodor W. Adorno, um dos ideólogos da Escola de Frankfurt. O pesquisador procurou atualizar o conceito de indústria cultural a partir da constatação de que as músicas do forró eletrônico são oferecidas como parte de um sistema (o assédio sistemático de tudo para todos) e sua produção obedece a critérios com objetivos de controle sobre os efeitos do receptor (capacidade de prescrição dos desejos).

O pesquisador recorreu ainda a autores como Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson para abordar o gênero musical a partir da leitura dos estudos culturais (a complexa rede das relações sociais e a importância da comunicação na produção da cultura), que dialogam com outro conceito anterior, o de hegemonia, de Antonio Gramsci. Pierre Bourdieu também serve de referencial teórico.

Ao amarrar essas teorias, o pesquisador argumenta que o público consumidor de músicas acaba fazendo parte de esquemas de consumo cultural potentes e difíceis de serem contestados. Neles, até o desejo acaba sendo imposto. Em entrevista a FAROFAFÁ, Costa exemplifica esse fato com a atual “cobrança” pelo consumo de álcool, onde a sociabilidade gira em torno de litros de bebidas.

“O que se bebe, quanto se bebe e com quem se bebe diz muito acerca do indivíduo. O forró não é responsável por isso, mas reforça.” Para o pesquisador, o consumo de bebidas se relaciona com a virilidade masculina, que, por sua vez, se vincula à reprodução do capital.

“Não reconheço grande valor estético (no forró eletrônico), mas considero um estilo musical que consegue, em ocasiões específicas, cumprir o papel de entreter”, afirmou. O pesquisador ouve todo tipo de música (samba-canção, samba-reggae, rock nacional dos anos 1980 e 1990, bolero, tango, entre outros), mas sua predileção é por nomes como Nelson Gonçalves e Altemar Dutra.

Para cobrir essa lacuna sobre o gênero que iria pesquisar, Costa entrevistou nomes como Cavaleiros do Forró, Calcinha de Menina, Balança Bebê e Forró Bagaço. O seu objetivo foi esquadrinhar desde uma das maiores bandas de forró eletrônico do Rio Grande do Norte até uma banda do interior que mal consegue fazer quatro apresentações por mês e cobra em torno de R$ 500 por show.

Banda Aviões do Forró - Foto Divulgação
Banda Aviões do Forró – Foto Divulgação
Entre os extremos de quem ganha muito e quem mal consegue sobreviver com o forró, o professor constatou que o sucesso é um elemento em comum, e algo difícil de ser obtido. Depende de substanciais investimentos financeiros e também do acaso – ter um hit pelas redes sociais ajuda. É por isso que Costa afirma que Aviões do Forró e um forrozeiro tecladista independente estão em lados completamente opostos, mas ainda têm algo basilar em comum: a indústria cultural.

É dentro desse contexto de consumo de massa de hits que nascem e morrem, diariamente, pelas rádios e carrinhos de CDs piratas, que prevalece o forrozão estilo “risca a faca” e “lapada na rachada”, para uma população semiformada (conceito adorniano de Halbbildung), explica Costa. Sobra pouco ou nenhum espaço para nomes consagrados do gênero.

Luiz Gonzaga, por exemplo, embora seja o símbolo maior do gênero e tratado com respeito pela maioria dos nordestinos, acaba sucumbindo a essa indústria cultural. “A competição é desigualmente assimétrica para o grande Lua. O assum preto gonzagueano, nesse sentido, bateu asas e voou.”

Costa diz não ser um pessimista ou só um crítico ferrenho do forró eletrônico. Tampouco que tem pouca esperança de que a música brasileira seja apenas uma eterna engrenagem da indústria cultural. Ao contrário, é dentro dela própria que ele vê saídas para o futuro da produção nacional. “Se vejo alguma possibilidade de mudança pode estar justamente nesses estúdios caseiros de gravação de CDs, nas bandas de garagem, no funk das periferias, no tecnobrega paraense. Não afirmo que a via é essa, mas que é um devir, uma possibilidade que pode não ir para além do sistema, mas minar algumas de suas bases”, concluiu.

Clique para acessar a tese de doutorado



Link original desta matéria:  http://farofafa.cartacapital.com.br/2013/09/02/musica-decadente-brasileira/

domingo, 8 de setembro de 2013

Aos 66 anos, musa da bossa nova vive como andarilha em Ipanema.

 
Crédito : Reprodução
Do G1 - Ela poderia ter sido a “Garota de Ipanema”, eternizada na música de Tom Jobim, quando desfilava pelo bairro ostentando charme e beleza. Anamaria Carvalho, mais conhecida como a “Mulher de Branco”, cresceu no meio artístico e efervescente do Rio na década de 70. Foi vizinha de Tom, casada com o compositor Marcos Valle e ajudou a divulgar a bossa nova pelo mundo. Hoje, ela perambula sem rumo pelas ruas de Ipanema, sempre munida de um carrinho de feira, esbanjando carisma e distribuindo sorrisos para os passantes.

O G1 localizou Anamaria na tarde desta quinta-feira (5), sentada em um bar da Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Dividindo a mesa com mais dois amigos, ela parecia se divertir mais sozinha. Ela, que já morou em Paris e na Califórnia, contou como vive há quase 66 anos, prestes a serem completados no dia 15 de setembro.

“Minha juventude foi musical. Ao longo do tempo fui aprendendo a tocar vários instrumentos. Fui vizinha do Tom Jobim no Leblon e em Los Angeles. Eu nunca compus, mas ele me mostrava tudo que ele fazia. Eu conheci o Marcos Valle em uma reunião em Ipanema, quando eu era solteira. Nós nos conhecemos e seis meses depois estávamos casados. Ficamos juntos por quatro anos e cantávamos muito.”

Documentário - Ana voltou ao cenário cultural há dois anos, quando o jornalista Chico Canindé lançou o documentário “Anamaria – A mulher de branco de Ipanema”. O filme foi exibido pela primeira vez em setembro de 2011, com duas sessões lotadas.

“Eu sempre quis desvendar a história da Mulher de Branco de Ipanema. Acompanho de longe os passos dela desde o início da década de 90. Em 2009, com a ajuda do publicitário e produtor Álvaro Saad Peixoto, o projeto criou forma e decidimos começar a rodar o documentário. Convencê-la a participar das filmagens não foi problema algum. Anamaria tem muita desenvoltura frente às câmeras e também adora posar para fotos. Algo que certamente traz da época em que vivia sob os holofotes”, contou Chico.

Filha do radialista Luis de Carvalho, Ana diz que tem três filhos biológicos e um adotivo. “A minha família está por aí. Eu os vejo quando Deus nos liga de novo. Netos, que eu saiba, ainda não tenho.”

'Mulher de azul' - O apelido “Mulher de Branco” não faz mais jus às roupas que ela veste, já que agora ela adotou o azul como cor oficial de suas indumentárias. “Eu me vestia de branco porque minha avó tinha falecido e o branco é o luto japonês. Embora eu não seja japonesa, eu não quis usar preto naquela época. A gente fica muito frustrado quando perde um parente que a gente gosta. Eu mudei do branco para o azul por causa de uma música [de Wilson Simonal] 'Vesti azul, minha sorte então mudou'. O azul é a cor da nobreza celestial”, revelou.

Canindé ficou próximo de Ana por filmá-la durante dois anos. O que tirou Anamaria dos holofotes ainda é um motivo desconhecido e que ela mesma desconversa ao ser questionada.

“Na minha opinião, em determinado momento de sua vida, Anamaria saiu do lugar comum criando um universo próprio, em paralelo, cheio de poesia e, ainda, com muita música, uma de suas paixões. Ana tem muitos amigos em Ipanema, famosos e anônimos. Ela viveu a década de 70 envolvida no movimento de contracultura”, opina o jornalista.

Ao contrário do que muitos pensam, Anamaria não mora na rua, mas em um apartamento em Ipanema. “Hoje em dia eu me hospedo, eu não moro. Porque eu tenho uma vida muito agitada.” Agitada ou não, o que fica visível ao esbarrar com Ana por Ipanema é que até "no peito dos desafinados também bate um coração", parafrasendo outra música do eterno poeta Tom Jobim.