O cantor, compositor, produtor musical e poeta popular Carlos Gomes, um dos maiores nomes da história da música popular maranhense, se apresentou no ultimo sábado às 23h na Praça Maria Aragão em grande show encerrando a programação de aniversário da capital maranhense.
O artista recebeu no palco como convidados as cantoras Rose Maranhão, Teresa Cantu e o sambista Allysson Ribeiro, intérpretes de sua vasta obra.
Ícone da musicalidade do Estado, Carlos Gomes é autor de clássicos do cancioneiro popular maranhense como ‘Sereia’, ‘Caxangá’, ‘Fogo e Lágrimas’, e foigravado por dezenas de interpretes locais e nacionais, a exemplo de Fafá de Belém, Genival Lacerda, Nonato e seu Conjunto, Alcione, Rosa Reis, Zeca Baleiro, Beto Douglas, dentre muitos outros.
Parceiro musical de nomes como Nicéas Drumont e Escrete, Carlos Gomes é também responsável pela produção em disco de expoentes da cultura popular como os saudosos cantadores João Chiador e Humberto do Maracanã.
Com uma trajetória marcada pela versatilidade musical, Carlos Gomes empreendeu nos últimos 30 anos pesquisas no campo sonoro que lhe renderam centenas de composições nos mais variados gêneros. Ele é compositor de toadas, boleros, baladas, sambas, marchinhas e rock, estilo pelo qual vem incursionando com frequência.
O show realizado no ultimo sábado (9) na praça Maria Aragão, teve a direção musical de Arlindo Pipiu e repertório exclusivamente autoral.Os convidados prestam um tributo à música do grande artista, enquanto Carlos Gomes prestará grande homenagem à cidade que lhe vem inspirando versos e canções que já entraram para a história de São Luís. E do Maranhão.
Mestres e mestras da Cultura Popular e tradicional serão premiados pelo Governo do Estado, em cerimônia, nesta quinta-feira (17), às 18h30, no Convento das Mercês, em São Luís. A homenagem é uma demonstração de valorização da cultura popular e tradicional do Maranhão.
Os premiados são vencedores do Edital 004/2017 Prêmio Mestres e Mestras da Cultura Popular e Tradicional lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e Turismo (Sectur).
O objetivo da premiação é reconhecer o valor dos homenageados, que são detentores dos conhecimentos e expressões culturais populares e tradicionais que, por seus saberes e forma de expressão, preservam a história maranhense.
A cerimônia contará com a presença do governador Flávio Dino; presidente da Fapema, Alex Oliveira; secretários de Estado de Cultura e Turismo, Diego Galdino, e Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Davi Telles, entre outras autoridades. Os convidados serão recepcionados com a apresentação do Tambor de Crioula de Dona Martinha. Depois da premiação haverá a dança do bumba meu boi de Zabumba da Fé em Deus.
O prêmio articula em dois eixos. Vai reunir o que é produzido pelos homenageados para transformar em conhecimento que possa ser apropriado por todos. Como forma de resguardar esse conhecimento já existe uma lei de proteção desse patrimônio, um edital da Fapema para pesquisar o patrimônio imaterial e o Instituo Estadual de Ciência e Tecnologia, que é dedicado à economia criativa.
O presidente da Fapema destacou a preocupação do Governo em valorizar a cultura popular que está associada ao patrimônio imaterial e a economia criativa. “A economia criativa existe para transformar esse conhecimento em produção de economia, em produtos culturais que possam contribuir com a economia do estado. Mas, para que isso ocorra é preciso que a gente proteja a fonte de todo esse conhecimento e a fonte desse conhecimento está nos mestres e nas mestras”, explica Alex Oliveira.
O secretário Diego Galdino frisou que o governo reconhece a cultura como um importante fator de desenvolvimento. “Desta forma, buscando políticas de preservação e disseminação das práticas culturais, estamos fortalecendo a nossa identidade”.
Prêmio.
O prêmio está divido em dez categorias: Bumba meu Boi, Tambor de Crioula, Capoeira, Festas Religiosas Tradicionais, Danças Populares, Blocos Tradicionais, Artesanato Tradicional, Música Popular Maranhense, Culinária Tradicional e Griôs/Povos Tradicionais de Terreiro. Os dez candidatos vencedores receberão diploma de reconhecimento e premiação no valor de R$ 20 mil.
Está inserido na linha de ação “Popularização da Ciência”, no âmbito do programa “Mais Cultura” e do Programa Estadual de Patrimônio Imaterial (PEPI). Tem amparo nos Artigos 215 e 216 da Constituição Federal que dispõem dos direitos culturais e amplia o conceito de patrimônio cultural para além dos bens tangíveis, na Lei Estadual nº 10.509 de 16 de setembro de 2016, que institui o Programa Estadual de Proteção e Promoção dos Mestres e Mestras da Cultura Popular do Maranhão, na Lei Estadual nº 10.514 de 05 de outubro de 2016, que institui a Política Estadual de Proteção de Bens Culturais de Natureza Imaterial.
Puderam se inscrever no edital, candidatos de grande experiência e conhecimento dos saberes e fazeres populares, dedicados às expressões culturais populares maranhenses, com reconhecimento da comunidade onde vivem e atuam, com longa permanência na atividade e capacidade de transmissão dos conhecimentos artísticos e culturais.
Entre os ganhadores estão mestres e metras dos municípios de São Luís, Icatu, Amarante do Maranhão, Axixá, Alcântara, Bacabal e Caxias.
Premiados e categorias
Antônio Ribeiro (Seu Tonico) – Bumba-meu-boi
José Tomás dos Santos ( Zequinha de Militão) – Tambor de Crioula
Antônio José da Conceição Ramos (Mestre Patinho) – Capoeira
Vicente Ramu’i Guajajara – Festas Religiosas Tradicionais – Festa do Mel
José Carlos Leite – Danças Populares Maranhenses
Waldete Moraes Corrêa (Cabeça Branca) – Bloco Tradicional
Neide de Jesus – Artesanato Tradicional Maranhense
Maria do Socorro Silva (Patativa) – Música Popular Maranhense
Maria de Nazareth do Nascimento Souza (Mestra Nazinha) – Culinária Tradicional Maranhense
Maria Madalena Carvalho (Mãe Madalena) – Griôs de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana – Povos de Terreiro.
Representantes e praticantes das religiões de matriz africana realizaram um protesto, na semana passada, contra a intolerância religiosa. Vestidos de branco, eles se posicionaram em frente ao Ministério Público e pediram por respeito às tradições da cultura afro-brasileira.
O caso que culminou na manifestação diz respeito a uma imposição da Justiça de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que estipula dia, horário e comodevem ser realizados os cultos em um terreiro de Candomblé da cidade.
De acordo com as novas regras, a casa poderia executar as atividades somente nas quartas-feiras e em um único sábado do mês, utilizando apenas um atabaque. Caso as normas não sejam cumpridas, o terreiro está sujeito a multa diária de R$ 100. O documento proíbe, inclusive, a prática de cultos silenciosos fora das datas.
“O que reivindicamos é simplesmente a igualdade de tratamento. A promotoria pública foi preconceituosa, discriminatória. Pensa que é Deus e fala como, quando e a hora que podemos rezar. Estamos lutando por um direito nosso“, afirma a diretora do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), Makota Celinha.
Contra a medida, uma reunião foi realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com a presença do Procurador Geral de Justiça de Minas, Antônio Sérgio Tonet, do secretário de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), Nilmário Miranda, e representantes das religiões de origem africana.
No encontro, Tonet e Nilmário se comprometeram a negociar a suspensão da medida. Além disso, será organizada uma audiência pública com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e o Ministério Público para tratar do assunto. O Cenarab também ajuizou uma ação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para barrar a imposição.
O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, lançou na ultima segunda-feira (5), o Edital Culturas Populares Leandro Gomes de Barros.
Serão premiadas 500 iniciativas que fortaleçam as expressões culturais populares brasileiras, retomando práticas populares em processo de esquecimento e que difundam as expressões populares para além dos limites de suas comunidades de origem.
Exemplos dessas iniciativas são o Cordel, a Quadrinha, o Maracatu, o Jongo, o Cortejo de Afoxé, o Bumba-Meu-Boi e o Boi de Mamão, entre outros. Só não estão incluídas Culturas Indígenas, Culturas Ciganas, Hip Hop e Capoeira, por já serem objeto de editais específicos lançados pelo MinC. As inscrições já estão abertas e seguem até 28 de julho.
Durante o evento de lançamento, o ministro da Cultura interino, João Batista de Andrade, lembrou a época de crise vivida no País, salientou que a cultura não deve ser vítima dela e falou sobre a importância da cultura popular brasileira.
“A base fundamental da nossa vida é a cultura que nasce do povo e que se manifesta ali. Tem uma intensidade muito grande, além de ter grande capacidade de revelar a vida brasileira. A literatura de cordel é um fenômeno raro no mundo, tão popular com tantos autores, que movimenta uma indústria”, exemplificou.
Este é o primeiro edital de cultura popular lançado pelo Ministério da Cultura desde 2012. Segundo a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Débora Albuquerque, há uma preocupação da Pasta em manter viva e em preservar as manifestações culturais populares, os saberes populares e os seus mestres. “É o maior edital da cultura popular em número de prêmios e isso só reflete a preocupação do MinC em preservar a cultura popular, incentivar os fazedores de cultura popular e reconhecer o trabalho desses mestres, grupos e comunidades”, afirmou.
A secretária explicou ainda que, ao promover iniciativas como este edital, o Estado brasileiro dá importante passo no reconhecimento do protagonismo de mestres e mestras praticantes das culturas populares. “O incentivo à participação social de representantes desse segmento na elaboração de políticas públicas de cultura e o acesso a recursos públicos é outro passo na garantia de seus direitos culturais”, destacou.
Das 500 premiações, 200 serão destinadas a pessoas físicas, outras 200 a coletivos culturais sem constituição jurídica, 80 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos e com natureza ou finalidade cultural e 20 a herdeiros de mestres já falecidos (In Memorian), em homenagem à dedicação do trabalho voltado aos saberes e fazeres populares e às expressões culturais, com reconhecimento da comunidade onde viveram e atuaram. Cada iniciativa selecionada receberá R$ 10 mil.
Inscrições
Cada candidato poderá apresentar apenas uma iniciativa para a seleção. As inscrições poderão ser feitas pela internet ou por via postal. Em caso de inscrição on-line, a documentação prevista no edital deverá ser preenchida, assinada e anexada ao Sistema de Acompanhamento às Leis de Incentivo à Cultura – SalicWeb.
Caso o candidato prefira realizar a inscrição por via postal, ela deverá ser enviada com aviso de recebimento obrigatório (AR) simples ou entrega rápida para o endereço especificado no edital.
Para auxiliar candidatos a participarem da seleção, o MinC promoverá oficinas gratuitas e abertas ao público. Assim que as datas e locais forem definidos, o calendário será publicado no site do Ministério da Cultura.
Uma comissão de seleção será responsável pela avaliação das iniciativas na fase de classificação. Contará com, no mínimo, 20 membros, sendo 10 titulares e 10 suplentes e será composta por servidores públicos e representantes da sociedade civil.
Entre os critérios avaliados estão: contribuição sociocultural que o projeto proporcionou às comunidades; melhoria da qualidade de vida das comunidades a partir de suas práticas culturais; e impacto social e contribuição da atuação para a preservação da memória e para a manutenção das atividades dos grupos, entre outros.
Cultura popular
A cultura popular nasce do conhecimento, dos costumes e tradições de um povo. Expressa-se em saberes, fazeres, práticas e artes produzidos pela comunidade e pelos seus mestres e mestras. Dessa forma, o Edital busca premiar iniciativas já realizadas que envolvam as práticas dos saberes tradicionais no campo da música, cantos, danças e festejos, narrativas simbólicas, medicina popular, culinária, literatura, cordel, contos, formas de plantios, jogos e brincadeiras populares, entre outros.
As expressões culturais populares abarcam manifestações que fazem parte da própria identidade do País. A literatura de cordel, as quadrilhas juninas, o jongo, o maracatu e o bumba-meu-boi, festa folclórica tradicional brasileira, são alguns exemplos.
Homenagem a Leandro Gomes
O edital leva o nome de Leandro Gomes de Barros para homenagear o cordelista paraibano nascido em 1865, no município de Pombal (PB). Considerado o rei dos poetas populares do seu tempo, também foi chamado de “príncipe dos poetas”, em 1976, por Carlos Drummond de Andrade. Gomes morreu em 1918, no Recife.
Presente à cerimônia de lançamento do edital, Ione Severo, diretora da cordelteca Leandro Gomes de Barros, localizada em Pombal (PB), e pesquisadora da obra do cordelista há mais de 20 anos, observou que o homeageado do edital foi “o maior distirbuidor da literatura de cordel do Brasil”.
Em edições anteriores, foram homenageados o cineasta e ator Amácio Mazzaropi (2012) e a artesã, ceramista e bonequeira do Vale do Jequitinhonha mestra Izabel Mendes da Cunha (2009). Além disso, o edital fez tributo ao mestre maranhense Humberto Barbosa Mendes, por sua contribuição para a promoção de expressões culturais típicas de sua região, como o Bumba Meu Boi (2008), e o músico Mestre Duda, por seu papel de destaque na construção da história do frevo (2007).
A primeira lei de Sócrates, “físico” grego do século quinto antes de Cristo, diz o seguinte: quanto maior a distância entre ricos e pobres e menos democrática for uma sociedade, piores serão as condições para que alguém se emancipe, logo, mais precários serão os quadros de educação, cultura e arte. Mais infalível do que as leis de Newton, esta primeira “lei de Sócrates” tem se manifestado com força nos últimos dois ou três anos, quando correntes antidemocráticas e regressivas se tornaram dominantes no Brasil, fazendo eco no estado e na cidade de Porto Alegre.
De maneira prática, houve uma desarticulação há muito não vista nos ministérios da Cultura e da Educação, a retirada de apoios fundamentais para o desenvolvimento de uma ciência autonomista, a extinção de diversas fundações no estado – dentre elas a Fundação Piratini, maior espaço midiático de educação, cultura e arte de que dispomos – e o discurso sempre pronto, repetido à exaustão até que se torne verdade, de que é preciso economizar sempre e de que não há dinheiro para cultura.
Mais sutilmente, o jogo é bastante pesado e desanimador em termos de construção de ideologia, com as pessoas não só deixando de cobrar das administrações municipal, estadual e federal o devido investimento nessas áreas, como também sumindo dos espetáculos, com notícias de uma série de shows de exímios artistas locais com 10, 20, 30 pagantes.
Um redemoinho poderoso formado por crise sistêmica do capitalismo, golpe de Estado, propaganda, alienação, virtualização etc. e muitas das práticas mantenedoras da nossa riqueza cultura se veem em maus lençóis, lutando e esperando que a conjuntura se altere o quanto antes, com medo de que estruturas bastante sólidas e longínquas se desmontem de uma hora pra outra.
É nessa esteira que dois festivais nos quais estou envolvido parecem quase uma investida quixotesca de seus organizadores. O primeiro, a Festipoa Literária, produzido por Fernando Ramos, chega à sua décima edição, entre 04 e 13 de maio – do qual serei anfitrião da homenageada Heloísa Buarque de Hollanda. Seu formato é composto de saraus, mesas-redondas, festas e oficinas; salvo o show de Vitor Ramil, adiado para o dia 10 de maio, tudo gratuito.
O segundo, os Diálogos Contemporâneos, produzido pela Denise Weinreb, está na primeira edição, entre os dias 04 e 27, na sala Multiuso do Santander Cultural e com apoio da Casamundi – dele sou idealizador e curador. Às quintas (18h-20h), sextas (16h-20h) e sábados (10h-12h), o evento é composto por painéis, oficinas e mesas-redondas, cada semana com um gênero: conto, cinema, poesia e romance; trazendo escritores, cineastas e professores de várias partes do país. Os Diálogos têm uma proposta autossustentável, em que os valores das inscrições são remetidos diretamente para o pagamento dos custos, sem lucros.
Cansei de presenciar a luta para a organização da Festipoa, especialmente nos últimos dois, três anos, como frisei a princípio. De mesmo modo, agora acompanho de perto as dificuldades dos Diálogos de se colocarem como um local de experiência e produção de cultura na cidade, mesmo sem se pensar como negócio. Nos momentos em que estou mais animado, acho que a culpa é nossa, dos agentes de cultura, que deveríamos divulgar mais, lutar mais, fazer (ainda) mais barato, dar (ainda) mais incentivos para as pessoas etc. Nos momentos de desânimo, parece que nadamos contra a corrente e mesmo quem diz que apoia a cultura, na hora agá, não comparece a qualquer um desses eventos, ou em outros, salvo os suspeitos e suspeitas de sempre. Em expressão precisa do poeta Ricardo Aleixo sobre os artistas, “somos a vanguarda da precarização”.
Há tanta variedade nesses festivais, e temos também artistas tão diversos, e os valores envolvidos são tão baixos, ou de graça, que não é possível que seja culpa dos artistas. É responsabilidade do público interessado valorizar e ocupar os espaços de cultura. Não podemos fugir a essa responsabilidade, inclusive em termos de resistência. Haverá sempre uma parte da população que acha literatura, cinema, música, artes plásticas etc. uma perda de tempo! E haverá sempre governos muito interessados que continuemos de joelhos e sem entender nada. Mesmo que seja pra apanhar, a educação, a cultura e arte nos levantam, e não há nada mais valioso do que isso nesse mundo.
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Guto Leite é poeta, compositor popular, professor de Literatura Brasileira (UFRGS).
O governador Flávio
Dino e a reitora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Nair Portela,
estiveram reunidos na tarde da ultima segunda-feira (17) com o objetivo de definir
a parceria do Governo para a realização da 40ª edição do Festival Guarnicê de
Cinema.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Estado dará total apoio na realização
do segundo maior evento coordenado por uma universidade e o quarto mais antigo
do Brasil destinado ao fomento da área do audiovisual.
O Festival Guarnicê
de Cinema é um dos mais tradicionais do Brasil e, em sua 40ª edição, receberá,
mais uma vez, apoio do Governo do Estado. O calendário cultural e turístico da
cidade de São Luís será movimentado de 2 a 10 de junho de 2017 por um grande elenco
de cineastas, produtores, atores, atrizes, técnicos e um grande público
estimado em mais de dez mil cinéfilos de todas as idades.
Durante a reunião,
o governador Flávio Dino destacou que existe hoje, no Maranhão, “um trabalho
consistente na área do audiovisual”, e citou iniciativas como o lançamento de
editais e a abertura da Escola de Cinema. “Por isso celebramos mais uma vez a
parceria com a UFMA para que o Festival ocorra no mês de junho. Tenho certeza
que será um grande sucesso, com uma ótima programação”, enfatizou.
Além de fomentar as
políticas audiovisuais, de acordo com Flávio Dino, o Guarnicê “impulsiona a
economia local, estimula o turismo, a cultura, as pessoas a conhecer o Centro
Histórico mais bonito do Brasil”, e é por isso que o Governo do Estado vai
estar presente e apoiando financeiramente, com logística, para que o festival
seja mais uma vez um grande sucesso.
De um total de
quase 400 filmes inscritos na 40ª edição do Guarnicê, 37 filmes, entre curtas e
longas-metragens, foram selecionados para competirem. A reitora da UFMA levou a
proposta de parceria para o Governo com o objetivo de obter apoio no
desenvolvimento da área audiovisual no Maranhão. “O Governo do Estado é um
grande parceiro neste evento”, pontuou Nair Portela.
A reitora enfatizou
ainda que a o Festival Guarnicê de Cinema é um importante evento da cultura
maranhense e brasileira e, em sua 40ª edição, terá um aumento de dois dias em
relação às outras edições, o que possibilitará a realização de mais oficinas,
mais projeção e participação da população. “E o Governo do Estado entrou
afirmando sua parceria e colaborando muito com a UFMA para a realização deste
grande evento”, sublinhou Nair Portela.
O secretário de
Cultura e Turismo, Diego Galdino, disse que desde o primeiro ano da atual
gestão o Governo está apoiando o festival e em 2017 não será diferente. “A
gente procura investir na cultura, nesse festival que é importante junto com a
política do audiovisual. Estamos avançando no Governo Flávio Dino em todos os
aspectos de projetos culturais. E o audiovisual é um dos que mais cresceu”,
realçou.
Para Galdino, o
Guarnicê vai proporcionar a visita de vários turistas e geração de emprego e
renda no período que antecede o São João, “então nós apoiamos e continuaremos a
apoiar no que for possível para garantir a essência do festival e que ele se
perpetue por vários anos”.
Também participaram
da reunião a pró-reitora de Extensão, Cultura e Empreendedorismo da UFMA,
Dorlene Aquino, a diretora do Departamento de Assuntos Culturais (DAC) e
coordenadora geral do Festival Guarnicê de Cinema, Fernanda Santos Pinheiro, e
o diretor da Divisão de Atividades Audiovisuais, Saulo Simões da Silva.
A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.
- Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino - conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste.
A situação da mulher não é um ponto fora da curva: já há registros na Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita de pelo menos 40 pais e mães de santo expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Em alguns locais, como no Lins e na Serrinha, em Madureira, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com quatro pais de santo ouvidos pelo EXTRA, que passaram pela situação, o motivo das expulsões é o mesmo: a conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.
Mãe de santo teve terreiro fechado na Pavuna pelo "exército de Jesus" Foto: Urbano Erbiste / Extra
Atabaques proibidos na Pavuna
A intolerância religiosa não é exclusividade de uma facção criminosa. Distante 13km do Lins e ocupada por um grupo rival, o Parque Colúmbia, na Pavuna, convive com a mesma realidade: a expulsão dos terreiros, acompanhados de perto pelo crescimento de igrejas evangélicas. Desinformada sobre as “regras locais”, uma mãe de santo tentou fundar, ali, seu terreiro. Logo, recebeu a visita do presidente da associação de moradores que a alertou: atabaques e despachos eram proibidos ali.
-Tive que sair fugida, porque tentei permanecer, só com consultas. Eles não gostaram — afirma.
A situação já é do conhecimento de pelo menos um órgão do governo: o Conselho Estadual de Direitos do Negro (Cedine), empossado pelo próprio governador. O presidente do órgão, Roberto dos Santos, admite que já foram encaminhadas denúncias ao Cedine:
- Já temos informações desse tipo. Mas a intolerância armada só pode ser vencida com a chegada do estado a esses locais, com as UPPs.
O deputado estadual Átila Nunes (PSL) fez um pedido formal, na última sexta-feira, para que a Secretaria de Segurança investigue os casos.
- Não se trata de disputa religiosa mas, sim, econômica. Líderes evangélicos não querem perder parte de seus rebanhos para outras religiões, e fazem a cabeça dos bandidos — afirma.
Nas favelas, os ‘guerreiros de Deus’
Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.
Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era “convidado a sair”. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião.
A situação se repete na Serrinha, ocupada pela mesma facção. No último dia 22, bandidos passaram a madrugada cobrindo imagens de santos nos muros da favela. Sobre a tinta fresca, agora lê-se: “Só Jesus salva”.
O babalaô Ivanir dos Santos, representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada justamente após casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras em 2006, afirma que os casos serão discutido pelo grupo, que vai pressionar o governo e o Ministério Público para que a segurança do locais seja garantida e os responsáveis pelo ato sejam punidos. “Essas pessoas são criminosas e devem ser punidas. Cercear a fé é crime”, diz o pai de santo.
Mãe de santo: proibida de circular na favela com as "roupas do demônio" Foto: Urbano Erbiste / Extra
Lei mais severa
Desde novembro de 2008, a Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo a Lei Caó. A partir de então, passou a vigorar no sistema das delegacias do estado a Lei 7.716/89, que determina que crimes de intolerância religiosa passem a ser respondidos em Varas Criminais e não mais nos Juizados Especiais. Atualmente, o crime não prescreve e a pena vai de um a três anos de detenção.
Filha de santo, que foi expulsa do Lins: ‘Não suportava mais fingir ser o que não era’.
- Me iniciei no candomblé em 2005. A partir de minha iniciação, comecei a ter problemas com os traficantes do Complexo do Lins. Quando cheguei à favela de cabeça raspada, por conta da iniciação, eles viravam o rosto quando eu passava. Com o tempo, as demostrações de intolerância aumentaram. Quando saía da favela vestida de branco, para ir ao terreiro que frequento, eles reclamavam. Um dia, um deles veio até a minha casa e disse que eu estava proibida de circular pela favela com aquelas “roupas do demônio”. As ameaças chegaram ao ponto de proibirem que eu pendurasse as roupas brancas no varal. Se eu desrespeitasse, seria expulsa de lá. No fim de 2010, dei um basta nisso. Não suportava mais fingir ser o que eu não era e saí de lá.
Mãe de santo há 30 anos, expulsa da Pavuna: ‘Disseram que quem mandava ali era o ‘Exército de Jesus”.
- Comprei, em 2009, um terreno no Parque Colúmbia, na Pavuna. No local, não havia nada. Mas eu queria fundar um terreiro ali e comecei a construir. No início, só fazia consulta, jogava búzios e recebia pessoas. Não fazia festas nem sessões. Não andava de branco pelas ruas nem tocava atabaque, para não chamar a atenção. Um dia, o presidente da associação de moradores foi até o local e disse que o tráfico havia ordenado que eu parasse com a “macumba”. Ali, quem mandava na época era a facção de Acari. Já era mais de santo há 30 anos e não acreditei naquilo. Fui até a boca de fumo tentar argumentar. Dei de cara com vários bandidos com fuzis, que disseram que ali quem mandava era o “Exército de Jesus”. Disse que tinha acabado de comprar o terreno e que não iria incomodar ninguém. Dias depois, cheguei ao terreiro e vi uma placa escrito “Vende-se” na porta — eles tomaram o terreno e o puseram a venda. Não podia fazer nada. Vendi o terreno o mais rapidamente possível por R$ 2 mil e fui arrumar outro lugar.