domingo, 9 de novembro de 2014

Afroargentinos - Colonizados por brancos, argentinos recuperam ascendência negra.

Monica Yanakiew*-Correspondente da Agência Brasil/EBC.- Edição: Marcos Chagas.

No censo de 2010, apenas 150 mil argentinos - menos de 0,5% da população de 41 milhões - se identificaram como negros. Ainda assim, nos últimos anos, o país está recuperando suas raízes africanas. Neste sábado (8), a Argentina comemora o Dia Nacional do Afro-Argentino, graças a uma lei aprovada em 2013.

“Escolhemos essa data em homenagem a Maria Remédios del Valle – uma heroína na guerra da independência, que trabalhou como enfermeira e lutou como militar”, diz Sara Chaves, afro-uruguaia que vive em Buenos Aires e pertence ao Movimento Afro Cultural argentino. “Ela ganhou o título de Capitã e Mãe da Pátria, mas morreu na miséria no dia 8 de novembro”.
cantora Laura Omega
A cantora Laura Omega diz que muitos antepassados dos argentinos vieram em navios negreirosMonica Yanakiew
A cantora Laura Omega sempre soube de suas raízes africanas e que sua bisavó foi escrava. “Minha família mantém viva a cultura negra, mas aqui a história dos negros é ignorada”, disse. “Parece que não existem negros na Argentina, porque muitos se misturaram aos brancos, para clarear a pele e não sofrer discriminação. Mas não é verdade que nossos antepassados baixaram todos dos navios de imigrantes, muitos vieram nos navios negreiros.”

A sede do Movimento Afro Cultural fica no bairro boêmio de San Telmo, conhecido por seus antiquários, a feira de antiguidades e os artistas de tango. Nos fins de semana, o grupo sai às ruas com seus tambores para tocar candombe. Esse ritmo africano foi herdado dos negros escravizados, trazidos pelos espanhóis para as colônias do Rio da Prata. No Uruguai, o candombe sobreviveu e hoje é tão popular quanto o samba no Brasil. Na Argentina, poucos sabem acompanhar a batucada.

“É preciso lembrar que a população negra na Argentina foi dizimada”, lembra Sara. Nos tempos da colônia, um terço da população argentina era negra. Mas muitos foram enviados para as frentes de batalha, nas guerras internas e também na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1864-1870). Outros morreram em sucessivas epidemias de febre amarela – a pior delas, em 1871, matou 8% dos habitantes de Buenos Aires. Como a economia local não dependia de mão de obra intensiva, vários argentinos vendiam seus escravos ao Brasil.

Enquanto a população negra minguava, Buenos Aires era invadida por ondas de imigrantes europeus. Quase 3 milhões de italianos desembarcaram na Argentina, entre 1861 e 1914, sem contar os espanhóis, ingleses, alemães e russos. Em 1920, mais da metade dos habitantes da capital argentina era estrangeira. “Mas muitos dos que acham que descendem dos europeus, porque tem sobrenomes italianos ou espanhóis, tem um pé na África e não sabem”, disse Sara.
Argentina Carina Vlaiocich
Mesmo de pele branca e sobrenome croata, a argentina Carina Vlaiocich descobriu antepassados negrosMonica Yanakew/Agência Brasil.




















É o caso de Carina Vlajovich, de 34 anos. “Quando fui apresentada ao candombe, sei lá, senti a batucada no sangue e não sabia explicar o porquê”, conta Carina. Mesmo com a pele branca e o sobrenome croata, herdado do avô europeu, ela descobriu antepassados africanos vasculhando a história da família materna. “Assumi a minha negritude e hoje me considero afro-argentina”, disse Carina que tem um bisavô negro.

* A matéria foi alterada às 12h39 para correção do título
Matéria copiada dehttp://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-11/colonizados-por-brancos-argentinos-recuperam-descendencia-negra

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Maranhão - Projeto de Lei que trata do Sistema Estadual de Cultura e do Plano Estadual de Cultura é encaminhado à Assembléia Legislativa.

Por: José de Mário Moraes Ferreira
Secretária Olga Simão entrega Projeto de Lei ao presidente da Assembleia, Arnaldo Melo, na presença do deputado Alexandre Almeida
Foto: Handson Chagas (SECOM)

Texto: SECOM




A secretária de Estado da Cultura, Olga Simão, entregou, na manhã desta quarta-feira (22), ao presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo, o Projeto de Lei do Sistema Estadual de Cultura e do Plano Estadual de Cultura, que definem as políticas culturais no estado nos próximos 10 anos. Os deputados Alexandre Almeida, César Pires, Roberto Costa e Rogério Cafeteira participaram do ato, realizado no gabinete da presidência do legislativo. 

O Plano Estadual de Cultura, segundo informou Olga Simão, foi construído a partir de demandas discutidas e ouvidas pela sociedade civil durante conferências estaduais, setoriais e territoriais regionais de Cultura, e de consulta pública. O plano, componente imprescindível do Sistema Estadual de Cultura (SNC), é um conjunto de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias e metas que devem orientar o poder público na formulação de políticas culturais.

“A partir do momento que o Maranhão fez a adesão ao Sistema Nacional de Cultura, o governo, por intermédio da Secretaria de Cultura, começou a implementar todas as ações para efetivá-la. O Plano Estadual é um documento que foi trabalhado deste outubro do ano passado por uma consultoria disponibilizada pelo Ministério da Cultura, via Universidade de Santa Catarina, em que se cumpriu todas as etapas”, disse a secretária. “Este documento reflete o anseio, o planejamento da área cultural do Estado do Maranhão para os próximos 10 anos”, completou Olga Simão.

Dez comissões setoriais foram criadas pela Secma, juntamente com o Conselho Estadual de Cultura, com a finalidade de trabalhar os segmentos da cultura, sendo elas: Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Cultura Popular, Gestão Pública da Cultura, Livro, Leitura e Biblioteca, Memória e Documentação, Museus, Música e Patrimônio Cultural.

O presidente da Assembleia, Arnaldo Melo, explicou que antes de ir para votação o projeto irá tramitar pelas comissões especificas para receber os devidos pareceres e conferir a parte constitucional e regimental. “A partir daí nós colocaremos em plenário e daremos a maior agilidade possível à tramitação desse projeto, pois é de interesse do governo compatibilizar as políticas da cultura do Estado com a política da cultura Nacional”, disse o presidente.

O Plano Estadual de Cultura é importante como instrumento de desenvolvimento de programas, projetos e ações culturais. Garante a valorização, o reconhecimento, a promoção e a preservação da diversidade cultural. Também estabelece estratégias, metas e define prazos e recursos necessários à sua implementação, por meio de um planejamento.

domingo, 12 de outubro de 2014

RESPOSTA AO FUNK OSTENTAÇÃO.

Daniel C. J. Santos compartilhou o vídeo de Wallace Vianna.
Excelente reflexão!!! Enquanto o Brasil se afunda cada vez mais na ignorância, vem esse cara e dá um recado maravilhoso. Parabéns!!!
RESPOSTA AO FUNK OSTENTAÇÃO.
Você ostenta o que não tem
Pra tentar parecer mais feliz
Mas não sabe que pra ser alguém
Tem que agir ao contrário do que você diz
Você pensa que tem liberdade
Exibindo riqueza e poder
Mas não vê que na realidade
O sistema é que lucra usando você

E o sistema tem a cor
Do racismo e da escravidão
Cada vez que você dá valor
À roupinha de marca e à ostentação
A elite burguesa e branca
Que é dona das lojas de grife
Se dá bem, pois você bota banca
Mas é o sistema que aumenta o cacife

Clipe norte-americano
De artista que faz hip hop
Você quer imitar por engano
Pensando que assim vai ganhar mais ibope
É a regra do capitalismo
Eles querem que a gente consuma
Pra vivermos à beira do abismo
A gente pra eles é porra nenhuma

Você pensa que é modelo
Pras crianças da comunidade
Sinto muito, mas devo dizê-lo
Que o que você faz é uma puta maldade
Se o moleque não tem condição
De entrar nesse mundo grã-fino
Isso pode virar frustração
E você vai foder com o pobre menino

Que pra ter um tênis foda
Pode até assaltar um playboy
Pois se fica excluído da moda
Recebe desprezo e isso lhe dói
E as mulheres que dão atenção
Que te cobrem de beijo e afeto
Valem menos do que seu cordão
Pois você trata elas pior que objeto

Quem batalha pra viver
E botar a comida na mesa
De repente te vê na TV
Dirigindo carrão e exibindo riqueza
Ostentando pra ter atenção
E achando que isso é maneiro
Sem saber que essa ostentação
Faz o branco do banco ganhar mais dinheiro

Negro tem que ter poder
Negro tem que ser protagonista
Tem que estar no jornal, na TV
No outdoor e na capa de toda revista
Mas não tem a menor coerência
Ostentar um anel de brilhante
Isso só vai gerar violência
Inveja e recalque no seu semelhante

Que legal sua conquista
Sua história de vida também
Mas seu papo é tão consumista
Que faz de você um artista refém
Dessa pose fajuta e falida
Que só finge aumentar autoestima
Infeliz de quem sobe na vida
E não sabe o que faz quando chega lá em cima.

sábado, 30 de agosto de 2014

Conhecimento indígena é preservado em livro de papel sintético

25/08/2014 - Por Karina Toledo. Link: http://www.agencia.fapesp.br/19667

Agência FAPESP – Um papel sintético feito de plástico reciclado – resultado de uma pesquisa desenvolvida com apoio da FAPESP – está ajudando a preservar o conhecimento sobre plantas medicinais transmitido oralmente há séculos pelos pajés do povo Huni Kuĩ do rio Jordão, no Acre.
Obra descreve 109 espécies de plantas medicinais e seus usos. Pajé da etnia Huni Kuĩ, no Acre, é idealizador do projeto e papel é resultado de pesquisa apoiada pela FAPESP (foto:Pascale/divulgação)
Descrições de 109 espécies usadas na terapêutica indígena, bem como informações sobre a região de ocorrência e as formas de tratamento, foram reunidas no livro Una Isĩ Kayawa, Livro da Cura, produzido pelo Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IJBRJ) e pela Editora Dantes.
A obra teve uma tiragem de 3 mil exemplares em papel comum, cuchê, voltada ao grande público e lançada recentemente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Outros mil exemplares, destinados exclusivamente aos índios, foram feitos com papel sintético, que é impermeável e tem a textura de papel cuchê, com o intuito de aumentar a durabilidade no ambiente úmido da floresta. O lançamento foi realizado com uma grande festa em uma das aldeias dos Huni Kuĩ do rio Jordão.  
O trabalho de pesquisa e organização das informações durou dois anos e meio e foi coordenado pelo botânico Alexandre Quinet, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O grande idealizador do projeto, porém, foi o pajé Agostinho Manduca Mateus Ĩka Muru, que morreu pouco tempo antes de a obra ser concluída.
“O pajé Ĩka Muru era um cientista da floresta, observador das plantas. Há mais de 20 anos ele vinha reunindo esse conhecimento até então oral em seus caderninhos. Buscando informações com os mais antigos e transmitindo para os aprendizes de pajé. Ele tinha o sonho de registrar tudo em um livro impresso, como os brancos fazem, e deixar disponível para as gerações futuras”, contou Quinet.
Também conhecidos pelos nomes de “Kaxinawá” – termo que os índios não gostam – , “gente verdadeira” ou “gente do cipó”, os Huni Kuĩ formam o grupo indígena mais numeroso do Acre. Sua presença vai até parte do Peru. No Brasil, somam mais de 7 mil indivíduos, divididos em 12 diferentes terras. O “livro da cura” retrata a terapêutica praticada nas 33 aldeias de uma dessas terras indígenas que se estende pelo rio Jordão.
Além das informações sobre as plantas, a obra apresenta, por meio de relatos e desenhos, um pouco da cultura do povo Huni Kuĩ, como seus hábitos alimentares, suas músicas e suas concepções sobre doença e espiritualidade. Todo o conteúdo está escrito em “hatxa kuĩ” – língua falada nas aldeias do rio Jordão – e traduzido para o português.
De acordo com Quinet, foram feitas cinco viagens à região acreana para a realização da pesquisa, além de quatro períodos de residência de tradutores Huni Kuĩ no Rio de Janeiro.
“Realizamos uma oficina que durou 15 dias e reuniu os 22 pajés das aldeias do rio Jordão. Os capítulos do livro são, na verdade, transcrições literais dos temas abordados por eles, organizados dentro da sistemática indígena. Apenas sofreram revisões para facilitar a compreensão”, contou Quinet.
Das 351 espécies elencadas pelos pajés como medicinais, os pesquisadores coletaram 196 amostras – resultando na seleção das 109 plantas que integram o livro. O material botânico foi identificado de acordo com as técnicas taxonômicas e depositado no herbário do Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
A partir do nome científico das espécies, os pesquisadores também levantaram na literatura científica, quando possível, o uso feito por outros povos do mundo. O trabalho contou com a colaboração de 21 taxonomistas de instituições brasileiras e internacionais.
“O objetivo inicial do pajé Ĩka Muru era criar um material de ensino para aprendizes de pajé, visando a facilitar a localização das plantas nos jardins medicinais. Mas o livro também tem o objetivo de difundir a cultura da tribo e a importância de preservar a floresta de forma ampla. Buscaram o Jardim Botânico para que esse conhecimento pudesse ser universalizado dentro de bases científicas”, disse Quinet.
Vitopaper
Para representar o conteúdo escrito em “hatxa kuĩ”, a editora Anna Dantes criou uma fonte tipográfica especial inspirada nas letras manuscritas nos cadernos indígenas. Também foi dela a ideia de produzir uma edição especial em papel sintético.
“Logo na primeira reunião feita com os pajés na floresta eu pude observar que os livros enviados para os povos indígenas sofrem muitos danos por causa da umidade e tornam-se muito perecíveis. As páginas vão entortando e grudando umas nas outras. Também são danificadas pela presença de pequenos animais, como cupins. Era um projeto muito ambicioso, que demandaria um grande esforço, e não poderíamos criar um produto que desapareceria em pouco tempo”, disse Dantes.
Dantes contou que foi a primeira vez que trabalhou com o Vitopaper, material produzido pela empresa Vitopel e originalmente desenvolvido por Sati Manrich, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
“Quando iniciamos o projeto, em 2003, nossa ideia era encontrar uma solução comum a dois grandes problemas: derrubada de árvores para a produção de celulose e a dificuldade de dar um destino adequado ao grande volume de lixo plástico produzido nos centros urbanos”, contou Manrich.
No processo desenvolvido por ela na universidade, o plástico oriundo de embalagens de alimentos, produtos de limpeza ou garrafas de água é higienizado e moído. Recebe, então, a adição de partículas minerais para a obtenção de propriedades ópticas – como brilho, brancura, contraste, dispersão e absorção de luz – e resistência mecânica ao rasgamento, tração e dobras.
A mistura é colocada em uma máquina extrusora a altas temperaturas, onde amolece e se funde. No final, o material transforma-se em uma folha grande fina, semelhante a um papel fabricado com celulose, que é enrolada e cortada de acordo com a aplicação.
Segundo a Vitopel, para cada tonelada de Vitopaper produzido são retiradas das ruas e lixões 750 quilos de resíduos plásticos. Além disso, segundo Manrich, cerca de 30 árvores deixam de ser derrubadas.
“Gostaria que esse exemplo fosse adotado não apenas para imortalizar o conhecimento dos índios como também na produção de livros didáticos, pois eles teriam uma durabilidade muito maior”, afirmou Manrich.
Una Isĩ Kayawa, Livro da Cura 
Organizadores: Agostinho Manduca Mateus Ĩka Muru e Alexandre Quinet 
Lançamento: 2014 
Preço: R$ 120,00 
Páginas: 260

Mais informações: www.facebook.com/UnaIsiKayawa?fref=ts

domingo, 24 de agosto de 2014

Dia 22 de agosto Comemora-se o Dia Nacional do Folclore. Notícias de Ontem.

Adicionar legenda

O termo folclore (folklore) é um neologismo que foi criado em 1846 pelo arqueólogo Ambrose Merton – pseudônimo de William John Thoms - e usado em uma carta endereçada à revista The Athenaeum, de Londres, onde os vocábulos da língua inglesa folk e lore (povo e saber) foram unidos, passando a ter o significado de saber tradicional de um povo. 

Esse termo passou a ser utilizado então para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares. Posteriormente, o termo passou a designar toda a cultura nascida principalmente nessas classes, dando ao folclore o status de história não escrita de um povo. 

Mesmo que o avanço da ciência e da tecnologia tenha levado ao descrédito muitas dessas tradições populares, a influência do pensamento positivista do século XIX contribuiu para dignificá-las, entendendo-as como elos em uma cadeia ininterrupta de saberes que deveria ser compreendida para se entender a sociedade moderna. 

Assim, com a conscientização de que a cultura popular poderia desaparecer devido ao novo modo de vida urbano, seu estudo se generalizou, ao mesmo tempo em que ela passou a ser usada como elemento principal em obras artísticas, despertando o sentimento nacionalista dos povos.

Hoje o Ponto de Cultura: Capoeira, Ações da Nossa Identidade Cultural, comemora o Dia Nacional do Folclore, na sede da A.C.Z., das 17:30 às 21hs, com várias atrações culturais. Participe e incentive a nossa cultura... A cultura é a nossa identidade.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

NOTA DO CIMI CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA POLÍTICA DE ATENÇÃO À SAÚDE INDÍGENA NO BRASIL - 11.08.2014.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem a público manifestar preocupação e repudiar a proposta que está sendo gestada, no âmbito do Ministério da Saúde, de "reforma na política de atenção à saúde indígena". O governo federal trabalha em direção à privatização das ações e serviços no âmbito da saúde para os povos indígenas. Como instrumento para tanto, gestores públicos planejam a criação de um novo ente, o Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI), que deverá ser o órgão responsável pela execução das ações de atenção à saúde dos povos indígenas em todo o país.
Segundo informações colhidas no próprio Ministério da Saúde, o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, esteve, no dia 1º de agosto, no gabinete do ministro, Arthur Chioro onde propôs a criação do INSI. A iniciativa acorre apenas quatro anos depois da criação da Sesai, fruto de uma grande mobilização do movimento indígena em todo o país, visando o reconhecimento da saúde indígena como uma política pública ligada diretamente ao gabinete do ministro da Saúde, em substituição à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que promovia a terceirização e a privatização da saúde indígena.
Com a aproximação do prazo estabelecido no Termo de Conciliação Judicial (TCJ) assinado pelo Ministério da Saúde (MS) e Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público Federal (MPF), que prevê a substituição de todos os profissionais da saúde indígena que atuam através de convênios e contratos temporários da União (CTU) por servidores públicos efetivos, no prazo máximo de 31 de dezembro de 2015, gestores da política de atenção à saúde indígena propõem um rearranjo com o intuito de ‘criar um novo modelo institucional para atendimento às populações indígenas’, em flagrante oposição ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à Política de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.
O modelo a ser adotado seria copiado da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, citada como a ‘primeira instituição pública não estatal brasileira’. De acordo com avaliação dos segmentos sociais nas Conferências Nacionais de Saúde, o modelo dos Hospitais da Rede Sarah tem sido considerado a forma mais explícita de terceirização, privatização e desperdício de dinheiro da saúde pública no país, devido aos elevados custos de administração e execução dos serviços prestados e falta de controle social sobre a gestão dos hospitais ligados à Rede.
O argumento central dos gestores ligados à Sesai para a criação do INSI é a alegada inviabilidade da realização de concurso público para provimento do pessoal da saúde indígena. A proposta do Concurso Público Específico e Diferenciado é uma bandeira do movimento indígena desde as primeiras Conferências de Saúde Indígena no final do século passado. Para que este concurso pudesse alcançar os objetivos almejados seria preciso criar os mecanismos legais adequados, inclusive com a regulamentação das categorias profissionais de Agente Indígena de Saúde e demais profissionais indígenas. Seria necessária uma articulação ampla envolvendo, dentre outros, os ministérios da Saúde, do Planejamento, do Congresso Nacional e a Presidência da República. No entanto, nada disso se fez e agora, uma vez mais, tentam redefinir os caminhos da política, dentro dos gabinetes na capital federal, sem discussão e debates com os principais interessados, os povos indígenas.
Dentre outras questões graves, na proposta de criação do INSI está definida a existência de um Conselho Deliberativo, que seria a instância máxima de decisão da organização, onde dos treze membros do colegiado seriam concedidas apenas ‘três vagas’ para representantes de organizações indígenas, desrespeitando o princípio da paridade entre os segmentos dos gestores e trabalhadores e o segmento dos usuários indígenas, um dos princípios basilares do Sistema Único de Saúde (SUS).
No entender do Cimi, a Sesai através de seus administradores, excluiu os povos indígenas, o Conselho Nacional de Saúde e a Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi) dos debates e do processo de discussão acerca da proposta de criação deste instituto. É lamentável o desrespeito com que o governo trata as populações indígenas e mais uma vez isso fica demonstrado através desta reforma absurda, que segue na contramão de tudo o que tem sido proposto e construído pelos povos indígenas nas últimas décadas. É mais um ataque a ser enfrentado com indignação e vigor por todo o movimento indígena e seus aliados na luta em defesa do SUS e pela efetivação da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.
Brasília-DF, 11 de agosto de 2014 - Conselho Indigenista Missionário Cimi

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Site prova que imprensa trabalha para a oposição.

Dilma e Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo

 de São Paulo: não tem como a imprensa falar bem deles
(Foto: Paulo Pinto/Analítica)


Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o papel político-partidário de oposição ao governo trabalhista da imprensa brasileira, o site Manchetômetro  se encarrega de esclarecê-la. 

Ele faz um acompanhamento diário da cobertura das eleições 2014 na grande mídia, especificamente nos jornais "Folha de S. Paulo", "O Globo" e "O Estado de S. Paulo", e no Jornal Nacional, da TV Globo, e demonstra cabalmente a participação ativa da mídia no processo eleitoral em prol dos candidatos oposicionistas.

Quem se dispuser a olhar os gráficos do site verá que o bombardeio contra a presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e o PT em geral é cerrado. Os números de notícias negativas é estarrecedor - assim como é escandaloso o noticiário favorável aos amigos da casa, ou seja, os parlamentares, candidatos e partidos da oposição. 

O Manchetômetro é produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (Lemep), grupo de pesquisas com registro no CNPq, com sede no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Como informa, não tem nenhuma filiação partidária ou relacionamento com grupo econômico.

A análise feita no Manchetômetro é focada na capa dos jornais. As justificativas que dá para isso são as seguintes: as capas de jornal têm um poder comunicativo muito maior do que as notícias do miolo da publicação; a manchete, as chamadas e as fotos da capa são os elementos comunicativos mais vistos na publicação, seja pelos assinantes e seus familiares, pelas pessoas que compram os jornais nas bancas ou mesmo pelas pessoas que circulam todos os dias em frente às bancas de revistas, onde as capas dos jornais diários são expostas para a apreciação pública; as manchetes e chamadas na capa são aquelas consideradas mais relevantes pelos editores do jornal, as que resumem melhor o conteúdo de toda a publicação, as que supostamente atraíram mais os leitores.

"Mais do que simplesmente analisar a manchete, isto é, a notícia principal, impressa em letras garrafais, examinamos aqui toda a primeira página da publicação. O Manchetômetro é propriamente um Capômetro, e se assumirmos que a capa é um bom resumo do jornal, estão estamos medindo aqui os aspectos mais relevantes das mensagens veiculadas por esses meios de comunicação", explica a equipe do site.

O método de estudo empregado é a análise do que é chamado de "valência", que é avaliada levando em conta a seguinte pergunta: essa manchete ou chamada, e o texto que a acompanha, é positiva, negativa, neutra ou ambivalente para a imagem do candidato, partido, pessoa ou governo a qual faz referência. Assim, não se trata de estabelecer se o que está sendo noticiado é verdadeiro ou falso, mas sim avaliar o significado daquela informação para a imagem do objeto do texto. No caso do Jornal Nacional, é medido o tempo da notícia e sua valência.

Cada notícia é analisada por dois codificadores e, havendo discordância, por um terceiro cujo veredicto funciona como critério de desempate. Os resultados das análises são colocados em gráficos para melhor visualização das tendências da cobertura.

Para além das valências são analisados dois temas fundamentais da cobertura jornalística nas capas dos jornais e no Jornal Nacional: a economia e a política institucional. A economia é assunto fundamental nas eleições em qualquer país. "É fato também que na cobertura jornalística, inclusive na capa dos jornais e no noticiário televisivo, matérias sobre a economia são abundantes mesmo em período não eleitoral", afirma o texto explicativo do Manchetômetro.

Notícias sobre as instituições políticas também são de alta relevância eleitoral, pois dizem respeito ao objeto das eleições: partidos, legislação eleitoral, candidatos, políticos, cargos, relações entre os poderes da República etc. A equipe do site parte da premissa de que as notícias sobre essas matérias têm alta relevância na informação do eleitorado, e consequentemente na formação de opinião.

A análise das manchetes teve início neste ano. A explicação é dada pelo próprio site: "Os jornais são veículos de informação cotidiana que funcionam de forma continuada. É claro que a cobertura dos anos anteriores é relevante para a presente eleição, mas o trabalho de analisa-la aqui seria por demais extenso.

Optamos assim por limitar a análise ao ano corrente, apostando em duas suposições razoáveis:

(1) há seis meses de cobertura do período pré-eleitoral, que é extenso o suficiente para captar o clima de opinião e informação transmitida pelas mídias; e

(2) quanto mais próxima do período eleitoral, da campanha, mais relevante e 'quente' são as informações, opiniões e tópicos noticiados."

Link Original: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/08/site-prova-que-imprensa-trabalha-para.html